Deus é fiel

Início de dezembro de 2007. Após uma campanha repleta de vexames, o Corinthians foi rebaixado para a série B. Torcedores de outros times, humoristas e chargistas fizeram a festa, tripudiando, rindo e faturando com a derrocada corintiana.

Se a igreja evangélica fosse um time não sei qual série estaríamos disputando no campeonato. Um rápido retrospecto mostra que a seqüência de resultados ruins parece não ter fim. Da mesma forma que o rebanho cresceu, aumentaram numa escala ainda maior o número de episódios tristes envolvendo o povo de Deus. Levamos goleada na política, apanhamos no meio artístico e tomamos “chocolate” nos púlpitos, para gáudio dos torcedores intolerantes de outros times.

Basta espiar a prateleira das livrarias para encontrar impressos diversos indicadores da crise que vivenciamos. Muitos títulos falam da dificuldade de se manter a fé e outros apresentam as experiências de quem optou por interromper definitivamente o relacionamento com Deus. Em revistas, jornais e sites, articulistas desfi(l)am um misto de indignação e decepção. Justíssimas, aliás.

A reação dos torcedores do Corinthians diante da crise foi um tanto inusitada. Não conheço ninguém que tenha trocado de time por causa do rebaixamento. Ao contrário, a torcida passou a comparecer às partidas com mais freqüência, gerando neste ano uma receita 45% maior que em 2007. Mesmo com o time na série B, os patrocínios aumentaram 16%. Enquanto nas igrejas alguns fiéis encolhem suas contribuições e diminuem a freqüência como forma pueril de protesto, a média de público nos jogos do Timão aumentou 20% em 2008.

Autor de um livro sobre o time alvinegro, o apresentador Serginho Groisman explica o que aconteceu: “Em tempos ruins, a equipe inspira pelo envolvimento da torcida”. Embalado pelo carinho e comprometimento da torcida, dos jogadores e dos dirigentes, o Corinthians voltou à série A em meio a lágrimas e momentos de emoção cuja intensidade suplantou largamente o que tem sido observado em muitos cultos. A alegria contagiou até mesmo torcedores de outras agremiações esportivas.

As livrarias cristãs fazem parte tanto das agruras como das conquistas do escrete do Senhor. Em momentos de crise, literalmente graças a Deus existem medicamentos disponíveis para erradicar diversos tipos de males que têm acometido o Corpo. Profilaxia santa por meio da inspiração que o Pai tem concedido ao redor do mundo.

Em contrapartida, também há nas gôndolas outros dois tipos de remédios bem comuns: os placebos – cuja ingestão não provoca nenhum tipo de benefício – e os venenos, compostos que trazem heresias disfarçadas de medicação. Infelizmente, ambos os tipos vendem bastante e acabam por complicar ainda mais a já debilitada saúde do rebanho.

No âmbito da saúde, apenas os médicos podem prescrever medicamentos e as farmácias devem ter na equipe um profissional capacitado na área. Nas livrarias cristãs não é necessário o mesmo grau de aprimoramento. Contudo, é mister que todos os funcionários sempre sejam lembrados de que trabalham na esfera da eternidade. No mínimo, devem ter intimidade com a “composição química” de cada obra para indicá-las corretamente.

A despeito da sucessão de confusões no meio evangélico, é certo que o Médico-mor é o grande interessado na saúde integral do rebanho. E isso por certo nada tem a ver com matizes teológicos e formas de expressão nos cultos. Somos diferentes, porém temos o mesmo adversário. Como apregoa um provérbio africano, “a união do rebanho obriga o leão a dormir com fome”.

Independentemente de seu “time” doutrinário, é tempo de alçar a voz e fazer do grito da torcida alvinegra o seu mote, ainda que em meio às crises da igreja: “eu nunca vou te abandonar”.

texto meu que será publicado na próxima edição do Catálogo MW.

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