Eliana Tranchesi, a evangelista

Na quinta-feira da semana passada, quase quatro anos depois, Eliana [Tranchesi] viu-se outra vez diante do braço armado da lei. Às 6 horas da manhã, três policiais federais bateram à porta de sua casa, no elegante bairro do Morumbi, com uma ordem de prisão nas mãos. Atordoada, mas calma, Eliana acordou os filhos, Bernardino, o Dinho, de 23 anos, e Marcella, de 17: “Não quero ver nenhum dos dois chorando nem se desesperando”, avisou. Em seguida, telefonou para sua advogada, Joyce Roysen, e com a ajuda de Marcella preparou uma mala com mudas de roupa (que não tiveram utilidade; ela vestiu o uniforme da cadeia, camiseta e calça bege), artigos de higiene, Bíblia, caneta e bloco de anotações “para ter o que fazer lá” e uma bolsa térmica com seus medicamentos.

Como nesta fase da sentença não há recurso a prisão especial, Eliana ficou num espaço juntamente com outras detentas. Numa entrevista ao repórter Thiago Bronzatto, ela contou que “as pessoas aqui são muito humanas, solidárias, desprovidas de qualquer preconceito”. “Chamei duas companheiras de cela e fizemos orações por muito tempo”, acrescentou. Mas Eliana dormiu sozinha numa cela de 9 metros quadrados, onde às 21h30 de quinta-feira foi instalado um colchão especial recomendado pelo médico. Também recebeu frutas, livros, lençóis e toalhas. Na sexta-feira, almoçou a comida da prisão (arroz, feijão e frango). Na mesma entrevista, ela manifestou seu “inconformismo pela injustiça que estou vivendo e pela desproporção da pena”. “Tenho a sensação de que o tempo parou enquanto a vida corre lá fora”, comparou. E anunciou seu primeiro projeto em liberdade: “A evangelização em favelas onde o tráfico é intenso”.
trechos de reportagem na Veja.

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