Fabrício Carpinejar por Fabrício Carpinejar

NÃO SOU NICOLAS CAGE

A fama de canalha não é uma condenação perpétua?

Não tenho a confiança das pessoas, o máximo que recebo delas é esperança.

Não é desgastante a necessidade de se provar todo momento?

Vivo em total crise, um cansaço de praia depois de domingo. Uma confusão maior do que a confusão anterior me tranqüiliza. Não há como me organizar, resta-me confundir ainda mais para parecer tranqüilo o que foi antes.

Seus filhos também não confiam em você?

Não, por isso amo tanto eles e sofro diariamente o medo de perdê-los. Eles não duvidam do que sou por aquilo que já fui. Aos filhos, sempre estou sendo.

Não fere sua credibilidade ao se escancarar desse modo?

Não é que acredito em minhas mentiras. Eu moro perto da verdade para poder visitá-la. A verdade só recebe visitas, ninguém é capaz de morar nela. Mesmo um santo, mesmo um pobre-diabo. A verdade torna a convivência insuportável. Há pensamentos que nasceram para permanecer pensamentos. Não contá-los não significa traição à lealdade. Tomado da gula da franqueza e da sensação que poderia ser completamente transparente, partilhei muitos pensamentos à toa e me dei mal. Quem entendeu acreditava que estava acreditando naquilo. Pensamento é hipótese, não é uma crença. Existe uma mania de fixar ações e tendências onde reinava medos e inquietações. Até com Deus escondemos alguma coisa. Alguns escondem o próprio Deus.

Mas me obrigou a entrevistá-lo? Você não está perto do ridículo. Olha só: óculos grandes, unhas pintadas, cabelos desenhados, sempre chamando atenção.

É carência. Eu chamo atenção da minha ausência. Chamo atenção para aquilo que não sou. Eu me escondo demais. Poucos conhecem a minha vida. Para falar sinceramente, nem eu. E o ridículo é um escudo para não substituir a memória pela reputação. Não provoca medo? Um medo conhecido se torna respeito.

fonte: Blog do Fabrício Carpinejar

recomendo a leitura do texto completo.

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