Caçador de fantasmas

James Van Praagh (à dir.) e Jennifer Love Hewitt no seriado Ghost Whisperer:
ele deu um jeito no encosto que atazanava a atriz

Certa vez, a atriz Jennifer Love Hewitt pediu socorro ao médium americano James Van Praagh. “A casa dela era mal-assombrada e um vulto a perseguia”, relata Van Praagh. Ao visitar o local, ele fez seu diagnóstico: tais tribulações seriam mesmo causadas por um espírito. “Tratava-se de um fã obcecado que havia morrido meses antes”, diz. O médium, então, teria expulsado o encosto. Essa história insólita não difere daquelas que se veem em Ghost Whisperer, série em que a atriz interpreta uma heroína paranormal – e que tem Van Praagh como produtor executivo e, vá lá, consultor espiritual.

O programa faz sucesso há quatro anos na rede americana CBS (por aqui, passa no canal pago Sony). E não é o único indicador da fama desse showman da mediunidade. Além de trabalhar para a TV, Van Praagh é autor de livros de autoajuda que somam 4 milhões de exemplares vendidos – 450 000 só no mercado brasileiro. Ele virá ao país nesta semana para o lançamento do mais recente deles, Espíritos entre Nós (Sextante), em que dá dicas de como atingir a felicidade com a suposta ajuda do sobrenatural. “Eu me sinto em casa no Brasil”, disse a VEJA dias antes de embarcar.

Van Praagh virou produtor de TV com o intuito de levar a “verdade” da vida além-túmulo às massas. As tramas da série espelham suas teorias. A tônica é que se deve tomar cuidado com os espíritos torturados que vagam por aí. “Eles têm influência negativa”, diz. Entre as baboseiras que já se viram no ar está a noção de que o câncer seja resultado dessa influência. No programa, as almas perdidas fazem a travessia para o “lado da Luz” com a ajuda de Melinda Gordon, médium vivida por Jennifer.
Van Praagh detesta um aspecto da série: “Eu era contra aqueles fantasmas assustadores. Mas foi uma imposição do estúdio para agradar aos espectadores”. De fato, os mortos de Ghost Whisperer parecem cobertos de pancake e ketchup. Não é difícil entender o porquê da opção: na tradição gótica americana, espíritos são criaturas amedrontadoras.
Van Praagh jura que viu fantasmas pela primeira vez aos 8 anos. “Fui cercado por vários deles enquanto rezava. Só relaxei quando mamãe disse que eram seres de luz”, afirma. Ele explora (economicamente, inclusive) essa “habilidade” lá se vão 25 anos. Seu apreço pelo Brasil decorre das semelhanças do que faz com o kardecismo, crença com mais seguidores no país que em qualquer outro lugar. “Nos Estados Unidos, muita gente tem medo e desconfiança. Os brasileiros são abertos à verdade”, diz.
Van Praagh não é um seguidor dessa vertente (“Minha religião é o amor”), mas gosta de se comparar a Chico Xavier, o mais famoso médium kardecista. “Ele psicografava. Eu me comunico com os mortos por meio das emoções.” Ou, como explica seu site: “O estilo suave de James dá a impressão de que ele está falando com um amigo ao telefone, e não com alguém na tumba”. Van Praagh não se esquece de citar entre suas referências o clã Gasparetto – tanto a escritora Zibia quanto seu filho Luiz, que “psicografa” telas de pintores célebres. Ele, aliás, até que lembra esse último – a diferença é que cultiva um bigode à la Freddie Mercury. Aos 50 anos, Van Praagh é um solteirão de espírito muito livre.

fonte: Veja

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Caçador de fantasmas

Deixe o seu comentário