O coelhinho agradece

Ah, a Páscoa, pretexto universal para comer chocolates, ganhar espinhas e quilos para perder na academia. Cada barra de Suflair representa uma hora de esteira. Se você quer passar mais tempo vendo corpos suados, gemendo de dor, levantando pesos acima dos ombros, esse é teu passaporte para a alegria, babe.

É triste perceber que hoje ninguém mais tem vergonha de ficar em fila, pegar senha e esperar para comprar algo que se chama de Ovo de Páscoa. O chocolate não é bom, é feito num formato nada agradável para se comer e vem com uma surpresa estranha e pequena. Kinder Ovo fazia isso por você por um preço bem mais módico. Por Deus, quem decidiu fazer um chocolate oval? Não seria mais fácil distribuir chocolates em barra? O cuelhinho agradeceria.

E o exercício mental fantasioso. Já é dificíl imaginar o porquê de um velhinho sair de sua casa no Polo Norte para distribuir presentes em um trenó puxado por renas. Agora, acreditar que um animal, cuja maior especialidade é fazer sexo com uma frequencia invejável, deixe de praticar o ato para trazer lembrança em chocolate… Oh, please, presentinho, só se ele quisesse comer alguém, ok? Se eu fosse um coelho, só pararia de procriar para comer lasanha e assistir Sonia Abrão.

Tenho medo de industrializarem o coelho. Ele virar um proletário, barbudinho e começar a expelir ovos com sabor de revolta trabalhista. O sindicato exigirá horário de trabalho reduzido e, talvez, por causa disso, deixemos de comer ovos para comer coelhos assados como refeição. Sem falar no risco de, Silvio Santos, empolgado com o lucro animal, encontrar o ganso que bota ovos de ouro e convencê-lo a realizar o processo em barras a serem distribuídas pelo carnê do Baú.

Há quem reúna toda a família para cear a Páscoa. Momento bonito, momento família. Serve-se lá o peixe, normalmente bacalhau e ficam lá todos, em volta da iguaria marítima morta sem pudor em dia santo. Jesus, que morreu em feriado e perdeu o descanso, fica para segundo plano. Ao final da refeição, a redenção vem em forma de azia, o carregar da cruz é o caminho até o toilete mais próximo e passam a chamar Jesus de Eno. (Ou de Hugo).

Se, nesta Páscoa, você não tem família, nem amigos, não se deprima. Compre manteiga de cacau na farmácia mais próxima. Ela tem exatamente o mesmo gosto do ovo de páscoa que você ganha da empresa onde trabalha. Para sair de casa, fique hospedado em um hotel e saboreie o chocolate mentolado deixado debaixo do travesseiro. Mais fácil acreditar no camareiro do que no coelhinho, não? E quem sabe ele não compartilhe do gosto pela procriação? Boa Páscoa e Boa sorte.
Felipe Luno, no Pink Ego.
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