Garotos balofos

Ronaldo saiu em defesa de Adriano. Pediu que entendam seu drama e deixem em paz o “garoto” (quase 30 anos, uns 100 quilos e milhões de dólares na conta).

É terrível mesmo o drama desses “garotos”. O próprio Ronaldo, ao chegar à Copa da Alemanha sofrendo muito (de tédio e com uma bolha no pé), desabafou. Disse que não suportava mais a perseguição implacável da imprensa. Ordenou aos jornalistas que deixassem sua bolha em paz.

A vida é mesmo cruel com esses garotos. Eles passam o ano inteiro carregando pesados caminhões de dólares e euros, e justo na hora do recreio – a Copa do Mundo –, vêm esses otários que torcem pela seleção encher o saco deles.

Basta do massacre aos pobres milionários. É um absurdo que Ronaldo e Adriano sejam perseguidos só porque foram a uma Copa balofos e preocupados em exigir suítes exclusivas.

Robinho tem todo o direito de trocar risinhos com Zidane, ainda em campo, ao fim do jogo em que a França eliminou o Brasil. O garoto estava cuidando de seu futuro no Real Madrid, e ninguém tem nada com isso. Cafu estava cuidando de sua ONG e seus recordes, Roberto Carlos estava cuidando de sua meia.

É um escândalo a interferência da pátria brasileira na vida privada desses meninos.

Em defesa de Adriano, Ronaldo disse que “ninguém sabe o que é a vida de um atleta de futebol”.

Talvez por isso o Fenômeno escolha aqueles programas noturnos exóticos. Deve ser para que as pessoas fiquem sabendo o que é a vida de um atleta de futebol.

Ronaldo disparou contra os “oportunistas”, os “comentaristas aleatórios”, os “santos que aparecem na televisão”, o desrespeito generalizado com os ídolos. O garoto estava mesmo zangado.

É claro que ele não precisa dar nomes, nem dizer exatamente do que está falando. O Brasil é cliente desses garotos indefesos. Quem não gostar, que se entenda com a assessoria deles.

Guilherme Fiuza, no site da Época.

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