Oh! Minas Gerais (20)

Minerim no leito de morte, decidiu ter uma conversa definitiva com a sua companheira de toda a vida sobre a fidelidade da mesma:

– Muié, pode falá sem medo… já vô morrê mess e prifiro sabê tudim direitim…

– Ocê arguma veiz traiu eu?

– Ô Zé, num fala dessas coisa que eu tenho vergonha…

– Pode falá muié…

– Quero não…

– Fala muié, disimbucha…

– Mió dexá pra lá, Zé!

– Vai, conta…

-Queto Zé, morre em paz…

Depois de muita insistência ela resolveu abrir o jogo:

– Tá bão Zé, vou contá, mais num mi responsabilizo…

– Pode contá!

– Ói Zé, traí sim, mas foi só treis veiz…

– Intão conta sô! Treis veiz nessa vida toda até qui num foi muito!

– A primera foi quando cê foi demitido daqueli imprego qui ce brigou cum chefe.

– Ué, mas eu fui adimitido dinovo logo dispôis sô…

– Pois é Zé… eu fui lá cunversá cum ele, acabei dano pra ele e ele ti contratô di vorta.

– Ah muié, cê foi muito boa cumigo… essa traição num dá nem pra leva a mar, foi pela necessidade da nossa famía… tá perdoada. E a segunda?

– Lembra quando cê foi preso pru modi daquele furdunço que cê prontô na venda?

– Lembro muié, mas num fiquei nem meio dia na cadeia…

– Pois é Zé… eu fui lá cunversá cum delegado e acabei dano pra ele ti sortá.

– Ê muié, isso nem conta também não, a carsa foi justa… imagina ficá preso lá um tempão. Ocê nem me traiu, foi pela nossa famía e pela minha liberdade, uai. E a úrtima?

– Lembra quando cê si candidatô pra vereadô?

– Lembro muié… quase me elegeru…

– Pois é… eu qui consegui aqueles 2.592 votos…

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