Até tu, Brutus?

Escândalo das passagens envolve Temer e Gabeira

Deputados admitem ter usado cota de passagens para viagens de familiares ao exterior. Presidente da Câmara diz que “havia o entendimento de que era crédito”; Gabeira afirma que reconhecerá o “erro” na tribuna amanhã

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) reconheceram ontem que também usaram parte da cota de passagens para financiar viagens de parentes ao exterior.

À Folha Temer afirmou que usou a cota porque “havia o entendimento de que era um crédito do parlamentar”.

“Pedi para a assessoria fazer um levantamento e constatei o uso. Viajei com minha mulher ao exterior e com meu irmão à Bahia”, disse. O destino no exterior foi a França. Para a Bahia, ele viajou com o irmão e outros três familiares.

O congressista, que também é presidente do PMDB, afirmou que vai discutir com os líderes dos partidos a exposição de todos os gastos dos parlamentares na internet. “Transparência em todos os gastos, o que valeria também para o caso de funcionários, suas funções e suas atividades”, completou.

Ao ser questionado, em entrevista à revista “Veja” desta semana, se a falta de parâmetros éticos havia tomado conta da política, o presidente da Câmara afirmou que há um número mínimo de deputados que praticam “atos inadequados”. “É vital distinguir os equívocos de A, B ou C do comportamento correto da maioria dos parlamentares. É preciso preservar a instituição dos erros de poucos”, disse à “Veja”.

As declarações do presidente da Câmara e do deputado do PV surgem em meio a revelações do descontrole no uso das passagens por congressistas.

Os presidentes nacionais do PT, Ricardo Berzoini (SP), e do DEM, Rodrigo Maia (RJ), Ciro Gomes (PSB-CE), ex-candidato ao Planalto, e Armando Monteiro Neto (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria, por exemplo, estão entre os deputados que financiaram viagens ao exterior de parentes e amigos.

Na semana passada, Câmara e Senado anunciaram medidas sobre a cota de passagem aérea. Divulgaram cortes, mas legalizaram a doação de bilhetes a parentes, assessores e correligionários dos políticos. E não alteraram as regras em relação às viagens ao exterior, permitindo que a prática continue.

Josias de Souza, capa da Folha de S. Paulo hoje

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