Papinho sem graça

É melhor ser mais cuidadoso antes de contar uma piada relacionada a sexo no ambiente de trabalho. Um estudo sugere que a brincadeira pode afetar de maneira negativa o humor e a motivação profissional dos funcionários. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de duas universidades canadenses, a School of Management e a British Columbia’s Sauder School of Management, entrevistaram 238 trabalhadores.

O que eles queriam era avaliar o impacto no bem-estar de comportamentos ligados à sexualidade no trabalho – como as tais piadas, conversas picantes, insinuações, cantadas e flertes. O que se viu foi que apenas 10% das mulheres e 46% dos homens que viveram alguma dessas situações classificaram a experiência como agradável.

Além de constatar que 90% das mulheres e 54% dos homens ouvidos não acham a menor graça no ti-ti-ti sobre sexo, Jennifer Berdahl, professora de psicologia organizacional da Universidade de Toronto e coordenadora do estudo, descobriu que mesmo os funcionários que se divertem com isso apresentam uma tendência a deixar o trabalho sentindo-se menos valorizados. E também reportaram sintomas depressivos com mais frequência do que aqueles que não foram expostos às mesmas brincadeiras. “Os homens podem se sentir pressionados para rir, mas depois ficam desconfortáveis”, disse a especialista. “E, quanto mais o ambiente está impregnado dessas atitudes, mais aumenta a tensão entre eles.

Os pesquisadores têm algumas teorias para explicar por que até os admiradores dessas brincadeiras sentem-se mal. Uma delas aponta para uma espécie de prazer seguido de culpa, algo como a ressaca moral que ocorre no dia seguinte a uma bebedeira. Outras interpretações estão associadas aos diversos significados do sexo. “Em nossa cultura, a sexualidade pode ter uma conotação de dominação, subordinação ou vulnerabilidade”, disse a pesquisadora Jennifer. Por esse entendimento, fa zer menção ao sexo no trabalho pode levar a outra pessoa a se ver numa posição de submissão, irritação ou ansiedade.
Na opinião do psicanalista Jorge Forbes, de São Paulo, as conclusões da pesquisa canadense não devem ser simplesmente transpostas para a realidade de outros países por causa das diferenças culturais. “Se no Canadá a população em geral tenta se comportar de modo mais polido, no Brasil predominam a cordialidade e a extroversão”, diz Forbes. Por esse prisma, pode ser que aqui uma piada ou um gracejo sobre sexo não interfiram de modo danoso nas relações de trabalho, como quer demonstrar estudo feito entre os trabalhadores canadenses.

fonte: IstoÉ

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