Era uma vez um homem chamado Adão

No começo do ano, quando entrevistei o professor Tarcísio Vieira, ele foi bem enfático quando disse que a Sociedade Criacionista Brasileira era contrária à introdução do criacionismo nas aulas de ciência do ensino público. Então, quando eu vi um artigo que saiu ontem à tarde no Guardian, lembrei dele.

Segundo o texto, o conselho estadual de educação do Texas, depois de teoricamente fechar as portas ao criacionismo nos livros didáticos adotados no estado, está revendo a decisão. Isso pode ter um efeito cascata, pois o Texas é um dos principais compradores de livros didáticos dos Estados Unidos, o que pode levar as editoras a mudar suas obras, de olho no filão.

No artigo, há quem diga que nenhum cientista sério toparia emprestar seu nome a um livro didático reescrito para acomodar o criacionismo, mas é difícil adivinhar se as editoras darão mais importância ao orçamento (ainda mais em tempos de crise) ou à precisão científica.

Seria isso produto do politicamente correto? Diz o artigo que qualquer grupo que se sinta ofendido pelo que sai num livro didático pode reclamar, e não poucas vezes governos e editoras dão ouvidos a esse tipo de queixa. Assim, seria questão de tempo para os criacionistas perceberem a chance de colocar suas visões de mundo nos livros. Eu, particularmente, nunca fui amigo do politicamente correto. Taí mais uma razão para torcer o nariz.
Marcio Campos, no Gazeta do Povo.
dica do Francisco Salerno Neto

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