Porque o “trabalho” da Igreja Universal não vale um vintém

Ao criticar essa perversa instituição é possível encontrar sempre alguém por perto, cristão ou não, para justificar o belíssimo trabalho que a frequencia nos cultos foi capaz de realizar: jovens libertos das drogas, famílias restauradas, dívidas pagas, e mais uma série de jargões feitos para uma publicidade lucrativa do perfeito viver burguês , tão sonhado no nosso país emergente.

Fato é que a tal “libertação” do mundo das drogas e do alccol pode ser alcançada, a preços bem mais justos, se me entendem, em um grupo de ajuda como o Alcoólicos Anônimos. E a bela família restaurada está disponível para todos em breves visitas a um terapeuta. Dívidas pagas passam por negociação, parcelamento e boa administração dos nossos escassos recursos.

Vê-se que muito do que se prega não passa de anseios do homem moderno, atraído pela fantasiosa vida vendida nos comerciais de TV. Uma instituição como a do Bispo Macedo, aproveita-se dessas vontades e mostra o atalho, que, como todos sabemos, é balela.

Alguns devem estar a se perguntar: Thiago, você não dá valor a obra do Espírito Santo nas transformações dessas vidas que frequentam a Igreja Universal? Não, não dou!

Eis a explicação: você acha que a tal suposta obra do Espírito iria se adaptar para atender ao modelo de vida perfeito que criamos depois da Revolução Industrial? Pois é, vá aos exemplos da Bíblia e aí serás capaz de achar, em abundância, uma série de famílias tão perturbadas, ou até mais, que a minha e a sua:

  • Davi , homicida e pulador de cerca
  • Adão e Eva e sua complicada relação de casal
  • Noé, o dançarino peladão e pinguço familiar
  • Arão e Miriam, os invejosos
  • Moisés, o irritadinho
  • José e seus “adoráveis” irmãozinhos
  • Jacó e sua índole altamente “confiável”

Agora você pode alegar que os meus exemplos são restritos ao antigo testamento. Pois bem, são, e isso não faz diferença, já que a a morte de Cristo não garante restauração familiar para ninguém. E se formos observar muito bem, os valores da família passaram a ter pouquíssima importância no Novo Testamento. No lugar do “afeto sanguineo”, Jesus afirma novos valores de coletividade e amor ao próximo. Ele mesmo não era do tipo “almoço no domingo na casa da mamãe Maria”.

Outro fato importante a ser considerado é a nossa herança cultural. Desde quando a obra divina é guiada pelos critérios do homem moderno, ou seja, suas definições do que é bom ou ruim? Se, na nossa concepção atual, o ato de usufruir da maconha é algo ruim, isso não significa que esse mesmo critério é válido para Deus. Podes alegar que não o é pelo fato de que a Bíblia pede-nos a seleção do “bom, perfeito e agradável”, mas há diferença de valores sob a perspectiva divina versus ponto de vista humano. Não devemos jamais pensar que o “olhar de Deus” limita-se ao modo de viver ocidental, no qual fomos criados.

Logo, não há valor nenhum no trabalho da Igreja Universal, e de boa parte dessas comunidades cristãs, pelo contrário, é até prejudicial, diferente de grupos de ajuda como o A.A.. É importante ressaltar que transformação moral não tem nada a ver com obra do Espírito. Aliás, até mesmo outros animais podem experimentar mudança de conduta, de acordo com os valores daquele ambiente no qual é adestrado.

Thiago Bonfim, no blog Livraria do Thiago

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