Os prazeres e as dores do trabalho

Acabo de ler um livro chamado “The pleasures and sorrows of work” (numa tradução livre algo como “Os prazeres e as dores do trabalho”). O autor é um filósofo e escritor inglês chamado Alain de Botton. Apesar do título aparentemente “equilibrado”, o livro é de cortar os pulsos. De Botton acompanha o dia-a-dia de diversos tipos de trabalhadores — de pescadores da atum ao gerente de uma fábrica de biscoitos. Poucos escapam de seu sarcasmo.

“As mentes mais brilhantes passam suas vidas simplificando ou acelerando funções… Engenheiros escrevem teses sobre a velocidade de scanners e consultores dedicam suas carreiras a implementar mudanças que podem gerar economias mínimas no trabalho feito por operadores de empilhadeiras…” De Botton fica perplexo, por exemplo, com o discurso pré-programado e sem vida do CEO de uma empresas de contabilidade.

Para o filósofo “talvez ele fale desse jeito nem tanto porque quer guardar segredos mas porque os anos viajando pelo planeta, respirando ar-condicionado e participando de conferências esvaziaram sua personalidade.” Eu poderia continuar com os exemplos, mas acho que já deu para vocês pegarem o tom. Depois de ler o livro, fica claro que, para o autor, os tais “prazeres” do trabalho são encontrados apenas por alguns — empreendedores, por exemplo.

Acho que o autor exagera em muitos pontos. Ele praticamente não leva em conta que na vida real é melhor ter um trabalho medíocre a não ter nenhum. Também não parece perceber que algumas profissões supostamente tediosas podem ser interessantes para quem decidiu abraçá-las. Mas se o livro tem um ponto a ser elogiado é que ele faz com que o leitor inevitavelmente avalie sua própria carreira. Será que você fez a escolha certa? Será que está trabalhando com ânimo ou apenas empurrando com a barriga? Será que ao acordar de manhã sente vontade de ir para o escritório ou de continuar embaixo das cobertas?

Eu fiz esse exercício e sei minhas respostas. Você sabe as suas?

Cristiane Correa, Via blog Por dentro das empresas

Max Gehringer diz que você precisa ter 3 coisas pra te manter no trabalho: Conjunto de benefícios + reconhecimento + perspectiva de crescimento. Se não tiver 2/3 disso, é hora de cair fora e ir ser feliz em outro lugar.

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