Mestre Jonas

“Dentro da baleia mora mestre Jonas
Desde que completou a maioridade
a baleia é sua casa, sua cidade
dentro dela guarda suas gravatas, seus ternos de linho

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou papel
que vai mante-lo preso na baleia
até o fim da vida
até o fim da vida

dentro da baleia a vida
é tão mais fácil
nada incomoda o silêncio e a paz de jonas
quando o tempo é mal,
a tempestade fica de fora
a baleia é mais segura que um grande navio

e ele diz que se chama Jonas
e ele diz que é um santo homem
e ele diz que mora dentro da baleia por vontade própria
e ele diz que está comprometido
e ele diz que assinou papel
que vai mante-lo preso na baleia
até o fim da vida
até o fim da vida


“Mestre Jonas”, o nome da música, faz uma sátira do profeta Jonas, dizendo que o “Mestre Jonas” havia feito a escolha pelo ventre da “Baleia” — pois, dentro, era mais seguro do que em um transatlântico: imune aos trovões, relâmpagos e tempestades; livre do que existia do lado de fora; sossegado na morte do ventre do grande peixe…

Amo quando encontro coisas soltas assim…, proféticas e cheias de advertência descomprometida, porém, carregadas de verdade, ainda que ditas de modo sarcástico, como frequentemente acontece na liberdade da Ordem de Melquizedeque.

Na realidade a música é um berro forte e sarcástico contra a segurança dos crentes em fuga e evasão…

De fato “Mestre Jonas” pastoreia a maior parte das “igrejas/baleias”… E mais: os crentes/Jonas lotam esse ventre de fugas… Lá é certo que se morrerá, mas é certo que não se verá do que se morrerá…

Infelizmente a “igreja” virou esse “Grande Peixe” no qual os “Jonas” e os seus “Mestres Jonas” escondem-se da vida, fantasiando que o mundo não é como é; e pior: crendo que mesmo se entregando à fuga, ainda assim estão mais seguros do que os que encaram a realidade de frente no convés do navio da existência.

“Mestre Jonas” decidiu não pregar aos Ninivitas…

“Mestre Jonas” quer apenas a salvação do conforto imediato, ainda que seja fruto de alienação total… e morte.

Enquanto isto, a “Igreja/Baleia” vai ficando gorda de tanto crente em fuga!…

A baleia não agüenta tantos Jonas…

É Jonas demais…

É fuga demais…

É evasão em excesso…

A baleia está afundando…

Nem o monstro suporta tanto peso…

Nem o monstro agüenta comida tão indigesta…

O monstro pede socorro aos céus…

Roga para ser liberto de tão grande indigestão… rsrsrs.

Assim, mais uma vez, pelo sarcasmo, muitos Jonas são advertidos pela voz que denuncia sua acomodação à morte e sua paixão pelo conforto imediato, mesmo que seja no abismo…

“Mestre Jonas” não gosta, sobretudo, do “sinal de Jonas”!

Sim, pois o tal “Mestre Jonas” não quer mesmo existir do lado de fora, e, menos ainda, ressuscitado do estado da escolha mórbida para a liberdade da missão no mundo real.

“Mestre Jonas” é homem de Baleia; ou melhor: é homem de “igreja”.

Sim, “Mestre Jonas” quer apenas existir e se aposentar no ventre da Baleia…

Tal é o sono do “Mestre Jonas”!…

Caio, 23/05/2009

É algo absolutamente irônico da parte de Deus que em Sua Graça e Misericórdia use um compositor fora dos arraiais evangélicos, espírita, maçon e ligado a New Age para lançar uma palavra de advertência àqueles que insistem em utilizar da fé para iludirem-se quanto a capacidade de isolarem-se da realidade que os envolve. Coisas de um Deus “selvagem” que é indomável.

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