Bolsonaro: cuidado, morde!

O deputado federal Jair Bolsonaro, do PP do Rio, já vai no quarto mandato. Do seu perfil na Câmara Federal, podemos ver nas suas qualificações:

“Formação de Oficiais, AMAN, Resende, RJ, 1977. Pára-Quedismo Militar, Brigada Pára-Quedista, Rio de Janeiro, RJ, 1977; Educação Física, Esc. de Educação Física do Exército, Rio de Janeiro, RJ; Mestre em Saltos, Brigada Pára-Quedista, Rio de Janeiro, RJ, 1983; Mergulho Autônomo, Corpo de Bombeiros, Rio de Janeiro, RJ, 1985; Aperfeiçoamento de Oficiais, ESAO, Rio de Janeiro, 1987”.

Como veem, para as altas funções de legislador, o deputado é ótimo para dar saltos, mergulhar, cair sobre um alvo e dar tiro. Já entre os companheiros de quartel no Rio de Janeiro, era conhecido como “cavalão”. Com efeito, entre seus últimos discursos, no dia 2 de abril registra-se que saudou o Exército brasileiro ao ensejo dos 45 anos do golpe militar ocorrido no País. Que lembrou as manchetes jornalísticas publicadas por ocasião do regime militar. E que listou os crimes cometidos pela Sra. Dilma Rousseff durante a resistência ao regime.

E, se temos paciência para encontrar algo mais relevante do deputado, seremos informados de que discursou para lembrar os 35 anos da inauguração da Ponte Rio—Niterói. A pesquisa sobre o nobre deputado, no entanto, verá coisas bem mais perigosas. Os dados formam um verdadeiro prontuário. A começar pela entrevista è revista Istoé Gente:

A polícia agiu corretamente no Carandiru?

– Continuo achando que perdeu-se a oportunidade de matar mil lá dentro. Pena de morte deve ser aplicada para qualquer crime premeditado.

Isto inclui tráfico de droga?

– Aí é outra história, aí eu defendo a tortura. A pena de morte vai inibir o crime. Nunca vi alguém executado na cadeira elétrica voltar a matar alguém. É um a menos.

Em que outras situações o senhor defende a tortura?

– Um traficante que age nas ruas contra nossos filhos tem que ser colocado no pau-de-arara imediatamente. Não tem direitos humanos nesse caso. É pau-de-arara, porrada. Para seqüestrador, a mesma coisa. O objetivo é fazer o cara abrir a boca. O cara tem que ser arrebentado para abrir o bico.

E a tortura praticada pela ditadura militar?

– Admito que houve alguns abusos do regime militar, mas a tortura não foi em cima de um simples preso político. Aquelas pessoas estavam armadas e matavam. Só na Guerrilha do Araguaia perdemos 16 militares.

E mais. Com os manifestantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da União Nacional dos Estudantes (UNE), que protestavam em frente ao Clube Militar, ele rosnou: “O grande erro foi ter torturado e não matado”. E, virando-se para os familiares de mortos e desaparecidos, gritou: “Fodam-se!”. Em plenário, aos berros, já chamou o Ministro da Justiça de “terrorista mentiroso”.

Como pode um tal mestre em saltos de brigada continuar impune? Uma possível explicação é que, para seus pares, ele não passa de inofensivo palhaço, de afirmações “polêmicas”, típicas de militares de extrema-direita.

Mas há que se levá-lo a sério. Os fascistas sempre começam o assalto à democracia pelo ridículo, porque as pessoas civilizadas confundem o atraso com a inocência. Pois esse miliciano desequilibrado não hesitará um só momento em matar e torturar, conforme tem reiterado para quem quer que seja. Esse deputado lembra mais um vampiro, em cujo corpo os velhos dráculas do regime ressuscitam. Para um indivíduo tão perigoso, há uma letargia até mesmo de deputados de partidos de esquerda. Mas que agora pode ser rompida, a partir de uma queixa formal, feita à presidência da Câmara. Nestes termos:

“Pela presente, o Grupo Tortura Nunca Mais/SP, vem manifestar sua profunda irritação e indignação em virtude das provocações e falta de ética do deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro. O deputado federal Jair Bolsonaro tem na porta do seu gabinete um cartaz, no qual aparece um cachorro com um osso na boca e com a seguinte frase; ‘Desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, quem gosta de osso é cachorro’.

As provocações de Jair Bolsonaro representam uma falta de respeito aos familiares dos mortos e desaparecidos e a todos os que lutaram e tombaram durante o regime nazimilitarista em nosso país.

O Grupo Tortura Nunca Mais/SP lamenta profundamente que as provocações desse aprendiz de nazista ocorram, exatamente, quando surgem várias denúncias sobre a ‘Operação Condor’ e quando aumentam as pressões dos movimentos sociais e órgãos internacionais para a abertura dos arquivos secretos das forças armadas e punição dos torturadores, por uma verdadeira Anistia, sem a qual jamais teremos um Estado Democrático de Direito em nosso país.

O Grupo Tortura Nunca Mais/SP considera que o deputado federal Jair Bolsonaro deveria ter seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar.

Atenciosamente, Delson Plácido”

Com um tal prontuário de feitos, penso que a placa do gabinete de Bolsonaro poderia ser substituída pelo aviso: “Cuidado, morde”.

Urariano Mota, no site Direto da Redação.

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