Indignar-se é preciso

Ontem ao ler, ainda na Gazeta on-line,o anúncio de que Carli Filho renuncia ao mandato, pensei imediatamente: Aí tem coisa! Na mesma hora torci para que o Rogério Galindo, blogueiro do Caixa Zero analisasse o tema – e não é que o meu desejo foi satisfeito? O leitor poderá acompanhar a reflexão do jornalista em Uma renúncia bem-vinda.

Crianças e jovens brasileiros precisam de lições que devolvam à nossa gente a capacidade de contestar e reivindicar direitos e, assim, expressar nossos incômodos com o que não é justo e correto para todos. Na escola, no supermercado, na feirinha, nas lojas e nos lugares públicos inúmeros exemplos de autoritarismo e injustiça são veiculados. Poucos levantam a voz para questionar, buscar uma explicação, cobrar um direito – e quem o faz percebe sempre que precisa vencer uma enorme barreira: a da crítica por “dar murro em ponta de faca”. Não é assim, entretanto, que se age, desestimulando a indignação, a cobrança pelos direitos das pessoas.

Do episódio triste que resultou na morte dos rapazes e inviabilizou (até quando, hein?) a carreira política do deputado é possível tirar lições advindas da indignação popular. Quer três exemplos, entre muitos que podemos extrair do fato?

Amor de mãe é contagiante; quando as mães lutam por um nobre motivo elas conseguem convencer, porque têm a força do sentimento verdadeiro. Cristiane Yared merece ser não apenas a mãe do ano, mas a madrinha exemplar da indignação.

A imprensa é grande aliada das causas populares; a excelente cobertura da mídia fez do caso regional um assunto nacional e qualquer tentativa de obstar os procedimentos na investigação do caso mereceria especulações de todos os lados; manter a transparência e verdade dos fatos fez a opinião pública agir imediatamente. Cartas às editorias, entrevistas na tevê e rádio, além dos comentários constantes na blogosfera marcaram o ponto diariamente.

Quando adultos sérios e compromissados com causas justas resolvem expressar a indignação que sentem por determinadas atitudes as crianças e os jovens têm exemplos para seguir. A história brasileira mais recente guarda um fato, felizmente já disseminado nas salas de aula: o movimento Diretas-Já. A maioria dos jovens fica agradavelmente surpresa quando toma contato com os fatos que precederam a esse movimento historicamente marcante na vida brasileira. A grande lição que ele oferece às gerações mais jovens é, sem dúvida alguma, os possíveis resultados da indignação popular.

Doralice Araújo, no blog Na mira do leitor.
dica do Francisco Salerno Neto

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