O ataque dos clones


Marco Feliciano já colocou em prática o seu mais ardiloso plano: ele está fabricando clones, cópias fiéis de sua pessoa para dominar as igrejas evangélicas. Pude comprovar esse rumor ontem em minha igreja.

Ao chegar à casa do Senhor, ajoelhei-me tranquilamente e orei agradecendo a Deus por mais uma oportunidade de estar em sua casa adorando-o. Quando fui sentar deparei-me com o pregador que tinha sido convidado. Ele tinha cabelos mais ou menos compridos, um anel de grau na mão, vestia um terno preto e por baixo um casaco da mesma cor, no lugar da camisa com gravata. Logo imaginei: “lembra bastante o Marco Feliciano”. Mas não dei muita atenção.

Quando ele assumiu o púlpito tomei um choque ao ouvir as suas primeiras palavras, num berro estridente: “Te prepara que hoje a tampa da chaleira vai voar”. Estarrecido preparei-me para o pior.

Acompanhei, ao longo daqueles difíceis minutos a perfomance desse clone do Marco Feliciano. Ele imitou o célebre pregador com perfeição, na entonação da voz, na alternância entre voz pausada e acelerada, na gesticulação, etc.

Ele usou de vários bordões e estratégias:

“Levanta o dedo profeta” “Crente tem de cuspir fogo” “Se você crê nisso levanta a mão” “Se você ficar de boca fechada vai voltar mais vazio” “Enche, enche, enche…” “Quem quer se cheio?”

O problema é que os crentes da minha congregação não reagem a qualquer tipo de pregação. Eu mesmo, quando prego, me sinto como um garimpeiro procurando ouro, dá trabalho para extrair glórias e aleluias.

Não pude perceber nenhuma reação positiva na igreja. Acho que a maioria percebeu o caráter teatral da sua pregação abundante em gestos e berros, mas pobre em palavras.

Ele é mais um desses jovens (ele tem só 18 anos) que escolheram “viver da fé”. É um pregador itinerante que parece sobreviver da venda de seus DVD´s, pois os ofereceu no fim do culto.

Sinceramente, eu tenho pena desses indivíduos. Sinto muita tristeza pelo fato de eles terem escolhido esse caminho. É claro que ninguém peca pelo fato de desejar ser um pregador bem sucedido, mas escolher como paradigma a figura do Marco Feliciano é a mais infeliz das escolhas.

Além disso, eu percebi que se trata se um jovem ainda muito inexperiente como crente, como cidadão e como pregador. Deu uma vontade tremenda de aconselhá-lo. Pensei em pedir para ele voltar para a sua terra, estudar, buscar uma profissão, etc. Ele tinha vindo de Minas e estava indo para a Bahia pregar também.

Mais trágico do que isso é o fato de as próprias igrejas estimularem o surgimento desses tipos de pregadores. São os próprios crentes que alimentam seus sonhos irreais. É o próprio sistema evangélico quem está fabricando esses clones do Marco Feliciano.

Cristiano Santana em seu blog [via Púlpito Cristão]

sinistro pensar que o Felicity tem o poder da multiplicação não de pães e peixes, mas de si mesmo. #medo

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