A última virgin

“Não tenho mais canções de amor. Joguei tudo pela janela.”
Lêdo Ivo

No dia 30 de abril de 2009, no processo de derretimento da indústria fonográfica, tal como a conhecemos e que agora desaparece no horizonte, depois de pouco mais de 10 anos de sua inauguração, fechou suas portas a emblemática loja da Virgin em Times Square, NYC. Em seu lugar, está a Forever 21, uma loja de roupas que gradativamente vem roubando mercado das lojas que dominaram a moda jovem americana nos últimos 20 anos, muito especialmente, GAP.

As megastores da Virgin, de responsabilidade de Sir Richard Branson, fazem parte de uma grande corporação que começou no início dos anos 70 com a venda de discos por correspondência. Branson foi um péssimo aluno, gago, e sempre ouvia de seu pai que não seria nada na vida. Antes de completar 25 anos já era milionário. Em 1972 abre a primeira das lojas Virgin, em Oxford Street, Londres, que rapidamente se converte na capital da música na Europa, onde ocorriam os principais lançamentos da indústria, e em 1973 cria a Virgin Music. Dentre seus contratados havia Phil Collins e Boy George.

Nos anos 80 pontifica como uma das gravadoras de maior sucesso em todo o mundo que, em 1992, é vendida por 1 bilhão de dólares. Richard Branson decide, então, concentrar todos os seus esforços no território da música, distribuição, com uma rede de megastores nas principais cidades da Europa e dos EUA. Além de todos os outros investimentos que fez em diferentes setores de atividade desde empresa de aviação, até uma similar de Coca-Cola, sempre com a marca Virgin: aproximadamente, 400 empresas no total.

A primeira megastore da Virgin nos EUA foi aberta em 1992 em Sunset Boulevard, Los Angeles. Em pouco tempo eram 11 lojas, sendo a mais conhecida dos brasileiros a de Times Square – um verdadeiro paraíso para quem buscava discos e gravações de todas as partes do mundo. Assim como a indústria fonográfica no seu formato convencional, muito rapidamente foram perdendo a razão de ser, diante das novas formas de comercialização e, uma a uma, fechando suas portas. E no final de abril fechou a penúltima de todas as dos EUA, restando apenas a outra megastore da cidade de Nova York, a de Washington Square.

Mais um dos negócios de Branson que desaparece em sua trajetória caótica, extraordinária e excepcionalmente bem-sucedida. Continua apostando e confiando em sua intuição e sensibilidade, e acreditando que o saldo sempre será positivo como até agora foi. Acerta 3 e erra 2 e vai em frente. Enquanto as coisas caminharem assim, continuará sendo uma das raras exceções que confirmam as melhores e mais consagradas regras do branding. Mas o risco de uma débâcle total jamais pode ser descartado.

Francisco A. Madia, no Propaganda & Marketing.

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