Por que os fiéis pagam o dízimo para demonstrar sua fé?

Na Wikipedia brasileira, espécie de Enciclopedia Barsa colaborativa – mas de segundo escalão – o dízimo é definido como “a décima parte de algo, paga voluntariamente ou através de taxa ou imposto, normalmente para ajudar organizações religiosas judaicas ou cristãs. Apesar de atualmente estar associada à religião, muitos reis na Antiguidade exigiam o dízimo de seus povos”.

Na Desciclopédia, compêndio sarcástico-humorístico organizado de maneira semelhante à Wikipedia, o tributo está definido como “uma contribuição de 10% de tudo o que o otário fiel de uma determinada igreja tem que pagar”.

As duas definições, embora imprecisas (uma, obviamente, mais que a outra), ajudam a compor o senso comum que a população cristã brasileira deve ter a respeito da colaboração voluntária, da taxa obrigatória, da décima parte do salário, a ser entregue para a Igreja. São muitas as palavras que podem construir ou desfazer algo que é visto como uma obrigação cujo cumprimento é vantajoso, já que garantirá benesses, mas pouco se sabe realmente a respeito desta palavra que está em uso desde muito antes de Cristo, e o cristianismo, nascerem.

É isso que nos apresenta o professor Wilson do Amaral Filho, da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O dízimo é uma prática muito antiga, presente nos primeiros relatos bíblicos. […] Tem-se a impressão que o dízimo tinha o sentido de retribuição por uma graça recebida, ou uma promessa diante de um desafio a ser vencido”.

Sim, é verdade. A contribuição que você dá hoje para a sua igreja já existe desde Abraão, o homem que fundamentou o surgimento do Judaísmo, do Cristianismo e do Islamismo. Mas quando as doze tribos israelitas – os primórdios das religiões judaicas – foram libertas da escravidão imposta pelos egípcios, cerca de quatro séculos depois das primeiras doações, o dízimo aparece “reutilizado” para manter a tribo de Levi, que fora escolhida para se dedicar ao sacerdócio e, assim, estava impossibilitada de receber terra como herança.

Esse caráter de “ajuda” que o dízimo assumiu neste momento não impediu que a tribo ligada à profissão de fé também fizesse suas doações e possibilitou que viúvas e órfãos das tribos pudessem se manter. E este, caro leitor, era apenas o início do uso do dízimo. Séculos depois, ele se tornou um misto de colaboração e obrigação, seja por má compreensão da palavra de Deus pelos fiéis, seja por um desvio no discurso dos sacerdotes. Leia +.

Pedro Jansen, no Yahoo!

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