Mandinga espiritual em nome da prosperidade

Para o mundo, de uma maneira geral, todo crente é farinha do mesmo saco. Infelizmente, somos jogados na vala comum dos aproveitadores, mercantilistas de promessas e abnegados em faturar com a fé.

Tive o desprazer de assistir a uma pregação de um clone de um famoso pastor pentecostal do Brasil em um congresso em Minas Gerais, numa cidade próxima de Belo Horizonte, com um conteúdo bíblico duvidoso, baseado em uma exegese pessoal da entrada triunfal do Mestre em Jerusalém; recheada de jargões popularescos a ponto de imitar com a voz um cavalo do rei Herodes conversando com o de José de Arimatéia por causa do “sucesso” de um jumento.

Um contador de histórias em nome do evangelho e de um “ministério de sucesso”, como ele mesmo fez questão de afirmar em alto da sua arrogância e sua autosucifiência, crendo ele erroneamente que sucesso na terra garante lugar na Nova Jerusalém.

Como estamos em tempos de alta tecnologia de um mundo globalizado, o clone profetizou “revelações” para os que portavam aparelhos celulares no auditório, ao esbravejar a todos que levantassem os seus celulares para receber a profecia da prosperidade em 40 dias.

Ele imitou o célebre pregador com perfeição, na entonação da voz, na alternância entre voz pausada e acelerada, na gesticulação e aquelas frases de efeito: “Levanta o dedo profeta”; “Crente tem de cuspir fogo”; “Se você crê nisso levanta a mão”; “Se você ficar de boca fechada vai voltar mais vazio”; “Enche, enche, enche…”; “Quem quer se cheio?”.

O caráter teatral da sua pregação abundante em gestos e berros, mas pobre em palavras das Santas Escrituras. Ele é mais um desses pregadores que escolheram “viver da fé”.

É um pregador itinerante que parece sobreviver da venda de seus DVD´s, pois os ofereceu insistentemente no fim da sua apresentação, fazendo questão de pedir mais três minutos ao organizador do evento para falar um monte de baboseiras com o firme objetivo de manipular os presentes e garantir um pouco mais de faturamento para o seu bolso, permitindo-o notebook vaio da Sony, anéis, roupas da moda e seus altos cachês para pregar.

Foi triste assistir a manipulação, quase histérica, da venda de 12 pacotes de DVD`s pela bagatela de R$ 100,00 com pagamento em cheques pré-datados para 120 dias e (pasmem!) que neste período os “sortudos” seriam alvo de oração incessante por parte do clone.

E, ainda, termina o pedido dizendo o seguinte: “São apenas 12 famílias as escolhidas, apesar de eu ter 40 pacotes de DVD`s no hotel, foram determinados que divulgasse apenas esses 12 para 12 famílias”.

Pasmem, mas é verdade! Uma espécie de mandinga espiritual com capa gospel do “ministério reteté”. Leia +.

Adilson Neves

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