Adeus, Encarta

“Quem fica na floresta um dia, quer escrever uma enciclopédia; quem passa cinco anos, fica em silêncio para perceber o quanto é profunda e complexa a criação.”
Dom Pedro Casaldáliga
Nada melhor para entender uma consequência do que conversar com a causa. Isso posto, consultei a Wikipédia sobre o verbete encarta: “Encarta ou MSN Encarta (oficialmente Microsoft Encarta) é uma multimédia enciclopédia digital, pertencente à Microsoft… existe desde 1993… Em 2005, a Microsoft anunciou que seu conteúdo seria acessível para usuários que pagassem uma mensalidade de U$ 4.95… A última Encarta lançada em português foi a edição de 2002…”.

Não é por falta de avisos e muito menos por sangramentos crônicos, como o que acaba de acontecer com sua um dia vitoriosa Encarta, que a Microsoft persistirá em seu modelo decadente de negócios. Ou por total teimosia, ou porque ainda vale a pena insistir na trajetória inicial e enquanto existirem desinformados chegando à tecnologia, e dispostos a pagar por produtos que em outros endereços não custam nada. E, muitas vezes, são melhores, como é o caso da Wikipédia – a enciclopédia colaborativa – que simplesmente tirou de cena todas as demais.

A Encarta veio ao mundo antes da internet. Mais precisamente em 1993 e constituiu-se em mais um dos grandes sucessos da Microsoft. Em 1995 chegou a www e enquanto as pessoas aprendiam e se acostumavam a navegar, preservava seu território e prosperava. De 1993 a 2001 continuou sendo atualizada e vendida no Brasil. A partir de 2002 migrou para a internet e só acessível mediante assinaturas em dois formatos: Student e Premium. E agora, em comunicado curto e grosso, anuncia sua retirada dos “gramados”, sem direito à volta olímpica e festa de despedida. Como diria Paulo Francis, uma trajetória de sucesso em direção ao anonimato.

Uma a uma, incluindo a mais tradicional de todas, a Britânica, foram entregando os pontos. Hoje, no território das enciclopédias, reina absoluta a Wikipédia, criada em 15 de janeiro de 2001 por Jimmy Wales, e contando com dezenas de milhares de colaboradores permanentes, atentos e atuantes em todo o mundo e com mais de 1 milhão de verbetes. Ainda em 2005 a Encarta fez uma derradeira tentativa e “reviu” seu modelo tentando acompanhar a Wikipédia e permitindo que seus usuários fizessem sugestões de mudança… Desde que continuassem pagando e submetendo suas sugestões a um conselho editorial, ou seja, um medíocre retoque na maquiagem permanecendo totalmente aprisionada ao modelo.

A Encarta sai do ar até o final deste ano de 2009. Até lá vai ressarcir seus assinantes. Despede-se, segundo o Hitwise, que metrifica a performance de sites e portais na internet, na segunda colocação em acessos.

Hitwise informa: em janeiro de 2009 a Encarta foi o segundo site de enciclopédias online mais acessado nos EUA com 1,27% dos acessos. O primeiro lugar pertence a Wikipédia com 97,1% dos acessos…

Francisco A. Madia, no Propaganda & Marketing.

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