É pau, é pedra, é o fim do caminho

Moradores e comerciantes da Rua Guaianases, centro da capital, se ‘defendem’ da multidão de usuários de drogas que toma conta da via com água. Um dos prédios está instalando um sistema hidráulico na marquise, que ‘faz chover’ na calçada para expulsar os viciados. A ideia é de um edifício vizinho, na Rua Conselheiro Nébias, onde a engenhoca funciona há uma semana.

O autor da ideia do sistema é Everli Silva Moraes, de 37 anos, que trabalha na reforma do prédio na Conselheiros Nébias. “Esses desocupados em frente à obra atrapalhavam nosso serviço, especialmente quando chegava o caminhão (com material de construção) para descarregar. Em alguns casos, os veículos tiveram que voltar sem descarregar.” A engenheira da obra, Lane Alves, diz que antes da invenção era difícil até entrar no prédio para trabalhar. Foram usados 40 metros de cano.

Para obrigar os drogados – que ficam em bandos – a sair da frente dos edifícios, é jogada água também com mangueiras. Em quase todas as portas de comércio há esguichos. O JT flagrou por três vezes em uma tarde essa tática dos comerciantes. Estavam perambulando pela rua cerca de 200 pessoas. A reportagem ouviu cerca de 20 pessoas na região.

O presidente do Conselho Comunitário do Centro(Conseg), Antonio de Souza Neto, diz que a população passou a reagir contra os usuários porque “não aguenta mais a situação”. Além disso, Neto diz que os moradores perceberam que os viciados, que migraram da Cracolândia, não são perigosos, mas doentes que precisam de tratamento.

“Em toda a reunião do Conseg, esse problema é colocado pela população que procura os órgãos competentes, como Prefeitura e polícia, mas ouve como resposta que ‘é um problema social’. Só que ninguém resolve. Estão nesse impasse há um ano, quando os viciados migraram para cá”, explica. O Ministério Público Estadual já foi acionado.

Pedras e paus

“Não ficamos só na água não. Já jogamos pedras e paus. Nós nos defendemos dessa bagunça que tanto a polícia como a Prefeitura dizem ser um problema social”, diz a síndica do edifício que está implantando o sistema. No mesmo prédio, em assembleia registrada em ata, os moradores decidiram jogar água e pedras das sacadas toda vez que se sentirem incomodados. Eles alegam que não conseguem dormir.

Há pouco tempo, um morador disparou tiros para cima na tentativa de intimidar os usuários e diminuir o barulho. No terceiro domingo de maio e no segundo de junho, os moradores acionaram a PM por causa da confusão.

“Só que, quando a viatura chegou, a multidão de desocupados era tão grande que cercou os policiais”, contam o zelador e um morador de outro prédio. A população viu a polícia acuada e desceu para ajudar. “Enquanto eu corria e pedia reforço, uns 10 vizinhos tentavam ajudar os PMs”, afirma o zelador. “Eu mesmo bati em alguns, não tenho medo, não aguento mais”, diz um engenheiro.

fonte: Jornal da Tarde
dica do Rodney Eloy

na mesma região, jogaram uma bomba caseira no final da parada gay. vinte e uma pessoas se feriram no episódio.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for É pau, é pedra, é o fim do caminho

Deixe o seu comentário