Pra lá de Teerã (2)

Ninguém sabe o número exato de vítimas que a repressão à revolta popular pela democracia no Irã já criou. Mas os nomes de uns e outros começam a aparecer e a circular. Como Neda Agha-Soltan e os vídeos comoventes e brutais que mostram a jovem se esvaindo em sangue após tomar um tiro no peito. Ou o documentarista e jornalista Maziar Bahari, correspondente da Newsweek (com quem jantei em Teerã e conversei algumas vezes quando estive no país, em 2000). Ele foi levado de casa por homens sem identificação e está desaparecido desde a manhã do dia 21.

Ou Kaveh Alipour, de 19 anos. Ele é uma das dezenas de vítimas da violência da polícia e da milícia basij. Morreu no sábado com um tiro na cabeça no meio da rua no centro de Teerã, quando saia da aula. Segundo sua família, não tinha engajamento político e estava noivo, com o casamento marcado para a próxima semana.

Ao chegar ao necrotério, o pai soube que deveria pagar uma taxa equivalente a US$ 3 mil para liberar o corpo de Kaveh. É o preço cobrado pela bala usada pelas forças de segurança para matar seu filho.

Luiz Antonio Ryff, no blog Nonsense.

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