Ímpios no comando

A expedição dos calvinistas ao Brasil ainda exigirá de nossos historiadores maiores investigações e a análise de fontes primárias. Estas poderão indicar novos contornos para o episódio.

Daquela primeira expedição, nada consistente restou. Somente no Século XIX outras correntes de seus seguidores atingiram várias regiões do território brasileiro.

Ergueram templos. Fundaram escolas. Instalaram universidade. Procuraram imprimir na nossa cultura valores éticos próprios do fundador deste importante seguimento religioso.

São poucos, no entanto. Aqui a indagação: seria diferente o comportamento de nossos políticos seu o pensamento calvinista estivesse mais inserido em nossas vidas cotidianas?

É possível. Certas situações da política nacional mostram-se incrivelmente bizarras. Não resistem a um mínimo lampejo de reflexão. Assemelham-se surrealistas. Daí a necessidade de aproximações.

Pregava Calvino profundo respeito à autoridade. Baseava-se nos ensinamentos de Paulo e Pedro: a autoridade deve ser respeitada. Mesmo assim, admitia desobedecer, quando o rei deliberasse de forma ímpia.

Exatamente isto. O cidadão pode se opor ao governante quando este age em desacordo com a lei e os princípios da boa condução dos assuntos públicos. O bom governo é que deve ser preservado.

Calvino, a par de reformador religioso, conduziu profunda reorientação nos costumes políticos de Genebra. Esta repercutiu em vários países, tanto da Europa como da América.

Quando se comemoram os quinhentos anos do nascimento – deste companheiro de estudos de Ignácio de Loyola – seria oportuno um reviver dos valores éticos por ele pregados.

A sociedade já se mostra enfadada. Os atos praticados pelos dirigentes do Senado Federal constrangem. Permitem, como nos ensinamentos do reformador, a presença de uma ira santa.

Alguns parlamentares desviaram-se de qualquer código de conduta. Agrediram valores. Desobedeceram leis. Violaram confianças. Tornaram-se indignos.

Boa forma de se comemorar a data, correspondente ao nascimento do autor de As Institutas*, é afastar de suas funções os administradores públicos ímpios. É dever da cidadania.

trecho de texto de Cláudio Lembo no Terra.
dica do Jarbas Aragão

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