Plano ou contingência?

O enfrentamento Nicodemus X Gondim teve mais um “round” no “ring” cibernético, graças novamente a uma tragédia de âmbito mundial, a queda do AF447.

À semelhança do primeiro embate, por ocasião da catástrofe do Suname, o teólogo reformado Augustus Nicodemus partiu para debater as idéias propostas por outro teólogo de destaque no meio evangélico brasileiro, Ricardo Gondim. O ataque desta vez foi mais sutil, mas não menos ofensivo, no que tange os conceitos debatidos. Não menos esperto, desta vez, ele se reportou a um pseudo amigo de nome Bonfim (troque B por G e f por d e temos Gondim).

Gondim, sempre na vanguarda, colocou em seu site na internet um texto para meditação de seus leitores. Com oito parágrafos, 13 interrogações e pelo menos 12 menções diretas à idéia de “plano”, “causa” ou “objetivo”, ele discorreu sobre aquilo que chamou de “Contigência”, relacionando-a ao acidente do AF447. Ou seja, a causa última do acidente é justamente o “não plano”, a inexistência de causa inteligente ou um objetivo específico e maior. Em suas próprias palavras “um avião cai porque o mundo é contigente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus”.

A reação imediata de Nicodemus, como na ocasião anterior, foi escrever um texto em seu Blog refutando a tese do pastor da Betesda. Para o chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o qual valeu-se de 16 parágrafos, duas interrogações e pelo menos 14 menções direta à idéia de de “causa”, “plano” ou “objetivo”, a queda do avião, não somente estava nos planos de Deus, assim como foi determinada por Ele. Em um só parágrafo o blogueiro usou nove vezes a expressão, “foi Deus quem” (ou variações desta) intercaladas com vários versículos bíblicos, numa tentativa de demonstrar que a ira de Deus seria motivadora das tragédias, as quais teriam sua causa no pecado original. Retórica essa a matar de inveja qualquer dos amigos de Jó.

Por outro lado, com suas inquietantes perguntas, um dos nordestinos mostrou que as explicações piedosas não convencem nem consolam. Impossível seria que Deus usasse deste mecanismo cruel para despertar o homem para o arrependimento. (De fato, o texto bíblico sinaliza que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento).

Já o outro nordestino, em sua estratégia sofista, começou apontando supostas fraquezas do seu destinatário fictício, como a revolta e a aflição e se dispôs a ajudá-lo. Isso não somente é uma tentativa de vencer o debate já no ínicio, fora do plano das idéias, pela desmoralização do adversário, mas reflete infelizmente uma atitude comum em líderes evangélicos, que sempre se vêem no papel de paizão prontos a ajudar crianças imaturas e assim ocultam suas próprias fraquezas e dúvidas.

Finalmente Nicodemus aponta para o misterioso plano divino em sua totalidade, onde o objetivo da tragédia em foco estaria incluído como uma forma de “desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras”. Essa, obviamente, é outra afronta direta à teoria de Gondim que apela para um viver intenso, uma vez que essa vida é imprecisa e efêmera.
Para esse autor, a contigência foi o caminho que o Criador achou para nos proporcionar liberdade e nos fazer humanos. Sem ela seríamos meros robôs, ou quem sabe deuses ou demônios.

Para mim, que sou administrador e não teólogo fica algo bem claro de todo esse debate e acontecimento: Na TGA – teoria geral da administração – a “teoria das contigências” absorveu todas as demais e mostrou-se preponderante pois é frente aos imprevistos que o bom administrador mostrará suas competências e versatilidade, não só em planejar, mas também para organizar, para dirigir e para controlar.

Pelo visto as contigências servem não somente para revelar um bom tomador de decisões, mas também um exímio mestre da Palavra.

Que o vento do Espírito, Ele mesmo, console os parentes das vítimas desse acidente, no Brasil e no mundo afora.

Roger, no blog Teologia livre.

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