Deus verde e vingativo

O aquecimento global é para levar a sério?

A interrogação não é tolerada no mundo tolerante de hoje. Mas existem sinais de esperança e um deles vem na revista “Spectator” dessa semana, com artigo sobre Ian Plimer. Quem?

Professor de Geologia na Austrália, Plimer editou livro que as inquisições ecológicas desejam lançar nas fogueiras. Título: “Heaven and Earth: Global Warming The Missing Science”. Tese: a ideia apocalíptica de que a atividade humana cria o aquecimento global vai contra a Física Solar, a Astronomia, a História, a Arqueologia e a Geologia. Ou, se preferirem, e ainda nas palavras do solitário Plimer, o “aquecimento global antropogénico” é a mais perigosa e ruinosa fraude da história.

Para Plimer, a contribuição humana para o aquecimento planetário é diminuta porque as variações climatéricas, analisadas sob a perspectiva macro da Geologia, sempre estiveram presentes nos milhares de milhões de anos da Terra. E muito antes dos seres humanos serem sequer uma possibilidade nos desígnios da criação.

Segundo a ortodoxia do aquecimento global, o mundo aquece porque o homem pós-industrial contribui para esse aquecimento de forma irresponsável e crescente. O meu problema começa logo com esses dois adjetivos. “Irresponsável”? Duvidoso que a ação humana seja a principal responsável pela aquecimento planetário quando a palavra maior pertence à própria natureza, que emite quantidades incomparáveis de CO2 para a atmosfera.

Mas problemático é acreditar numa ação “crescente” do homem quando a história, remota ou recente, mostra variações climatéricas que estão longe de ser graduais e uniformes. Fato: o mundo aqueceu entre 1920 e 1940 (0,4º C). Fato: o mundo aqueceu a partir de 1975 e até aos inícios do presente século (0,5º). Mas o mundo também arrefeceu entre 1940 e 1975 (0,2º C). E, ao contrário do que diz o meu taxista, o mundo arrefeceu desde o início do século 21.

Tudo isso é história recente? Então olhemos para a história remota e pré-industrial. Lemos os documentos que o monaquismo ocidental foi legando para a posteridade e, a partir do século 11, encontramos um mundo medievo estranhamente quente e, talvez por isso, estranhamente produtivo. Exatamente o contrário dos séculos 17 e 18, quando uma pequena idade glacial permitia aos londrinos cruzar um rio Tamisa congelado.

Opinião pessoal? Sabemos pouco sobre os humores do clima. E é precisamente essa ignorância que permite decretar certezas com a arrogância própria dos fanáticos. Para Plimer, essas “certezas” não são mais do que expressões de fé num mundo sem religião. Ou, dito de outra forma, com o declínio do Cristianismo no Ocidente, os homens canalizaram os seus sentimentos fideístas para um “panteísmo” alarmante, vislumbrando no clima, e nas naturais variações dele, uma secularização das pragas bíblicas, prontas para punir os pecados da Humanidade.

Os pecados “capitalistas” da Humanidade, acrescento eu. Faz sentido. Se o marxismo não cumpriu a sua promessa “científica”, os órfãos da ideologia esperam agora por um deus verde e vingativo para nos destruir e salvar.

trechos de A fé dos taxistas, texto de João Pereira Coutinho na Folha Online.

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