Crentolândia

“Fiquei magoado com a comunidade religiosa por ter me castrado uma época, pois não podia tocar nas “santinhas do nome de Jesus”. Enfim, as “dondoquinhas da crentolândia”, gostam muito de presença masculina e tem as suas vontades como toda mulher normal.

Logo, omiti esse processo para o convivio na comunidade religiosa. Portanto, eu tive a versão faculdade e a versão dentro da igreja.Mas era um meio para não ferir e não desagradar a liderança, ou seja: medos das versões passadas.

Lembro de uma “amiga”, entre aspas, pois eramos mais namorados do que amigos e vivi essa relação por um ano e meio. Guardei em segredo, comigo apenas e aos poucos, ao estar no final, comecei a revelá-la para amigos.Enfim, esse foi o ponto de partida para a volta ao divã, abrir a boca e confessar o incômodo, a dúvida. O ajuntamento de crises familiares e a descoberta do prazer foram alíbis para o retorno a terapia.

Meu amigo, foi incisivo e me passou o telefone de uma terapeuta com especialização em sociodrama e sexologia.Ao começar, percebi o quanto estava destruído e precisava de auxílio. Logo, as minhas forças para os passos de humanização eram fortes e pude perceber o quanto sou vivo e tenho vida.

As minhas idas a igreja diminuiram. A falta de compreensão, a exigência de algumas moças crentes com relação a presença masculina, a provoção sexual de outras foram fatores que me fizeram tomar uma postura low profile com relação as idas a comunidade. Priorizei livros, textos, idas a bares, shows , sozinho. As vezes com uma amiga, mas amiga mesmo, de conversa, de bons papos, apenas!

Hoje junto tudo isso que escrevi.Uma boa alma, que foi escurraçada da “filial crentolândiana do ABC” em 2004, surge estratégicamente para ajudar a falar, abrir o coração para a vida. Fui o primeiro da “geração matrix do ABC” a sair fora e ir para o circo. O circo é bom, palavra forte. Não tem show de crente; mas é a bibilia como ela é de verdade e a senha na vida do Cristão é : ética!

Faço uma força absurda para voltar a frequentar a comunidade onde algumas moças me subestimaram masculinamente e não entenderam o meu jeito de ser. As do “mundo” também me subestimaram. A mídia, vagabunda, anti-democrática, impõe valores, que odeio. Não sou o “brucutu”, o “bombadinho” do passeio com o pit-bull. Logo, ando com um maltês e uma cocker e sou zuado até pelos meus vizinhos.

Já briguei com alguns deles, fui ameaçado por dois. Mas sigo a minha vida, não tenho medo. As vezes, tenho vontade de encarar esses “nóias” cara-a-cara só para provar a minha masculinidade. Mas não preciso provar masculinidade para viado e as “gatinhas da crentolândia”, especialmente para essas que estão a fim de”dar” para o colega de serviço e ficam questionando a minha capacidade para “pegá-la”.

Sou homem, gosto de mulher, cerveja, música de qualidade, trabalho, cozinho e leio bons livros. Não preciso queimar gasolina, cantar pneu e andar com pit-bull para mostrar o quanto sou viril. Espero que a espiritualidade me aceite assim! Sei que a igreja não me aceita.” [Leia por completo AQUI]

Fonte: CASOS URBANOS

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