A Igreja de Eric Clapton e dos Santos dos Últimos Acordes


O testemunho de um fiel que encontrou a salvação pelo evangelho da guitarra

(publicado originalmente em Abril/2007)

Estes tempos modernos trazem muita tentação aos jovens para desencaminhá-los do caminho da verdade. É Funk Carioca, é Axé Music, é Sertaneja, é Pagode, e o diabo a sete.

Comigo não foi diferente. Por mais que você queira educar seus filhos, o mundo tenta levá-los ao lado negro da força.

E isso aconteceu comigo. Por mais que eu ninasse meu filho mais velho com música de qualidade, as forças das trevas conspiravam contra. Era Bonde do Tigrão, Kelly Key, Eguinha Pocotó, Xuxa, É o Tcham. E o pirralho começava a querer dançar ao ritmo destas músicas demoníacas.

Mas meu desespero realmente aumentou quando o peguei cantarolando “Festa no Apê”, do Latino. E de nada adiantou dizer que aquilo era uma versão muito da malfeita de uma música romena, de que o Latino não sabia o que era música e de que ele era corno. Ele fazia ouvidos moucos à minhas preces.

O fim da picada foi quando ele conseguiu um DVD pirata da Banda Calypso e estava tocando air guitar imitando o Chimbinha. Chorei e implorei. Cogitei a hipótese de ir à uma encruzilhada fazer um pacto com Robert Johnson. Quis bater na mãe do pirralho por causa daquele CD do Daniel que ela escutava direto. Mas fui iluminado e resolvi levar meu apelo àquele que é mais conhecido como deus, mas que alguns se referem à ele como Eric Clapton. Escutei de 24 Nights até Back Home, e prometi torrar minha grana com os DVD´s de seus shows.

Minhas preces foram atendidas. Uma bela manhã ocorreu a epifânia. Acordo com meu moleque escutando música em meu computador. E ele cantarolava “a minha vida é rock´n´Roll” com toda a energia. Ele descobrira minha pasta de MP3 com as músicas da banda “Velhas Virgens”. Rock na veia.

Mais uma alma foi salva! È claro que não mais falta a palavra sagrada, e consigo exorcizar as Tatis Quebra-barraco com doses cavalares de blues e rock pelos apóstolos B.B.King, Steve Ray Vaugham, Joe Sartriani e Carlos Santana. E a paz voltou a reinar em nosso lar.

Estamos pensando seriamente em fundar esta igreja, mas a primeira atitude seria elevar à condição de heresia qualquer um que lave seu carro com o som ligado e tocando o funk do Créu, punível com a fogueira. Para o carro e para o dono do carro.

Moziel T.Monk em 11 abr, 2009 em Biscoitos Sonoros, Naftalinas via BLODEGA

E para relembrar um bom momento, veja LAYLA


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