Respostas sinceras sobre Deus e meu passado de adoradora

Recebi um comentário da Helen com várias perguntas sobre minha relação com a fé e sobre meus tempo de evangélica. Resolvi responder por aqui mesmo, como um post, já que muitas pessoas já me fizeram questionamentos parecidos. Aí está então, a breve “entrevista” da Helen comigo:

E se Deus existir?
Se Ele existir eu espero que me ame como meus pais me amam. Isso dá e sobra.

O que Deus deveria fazer pra que você acreditasse em sua existência?
Vixi, não sei… Paz e amor no mundo inteiro, talvez.

Como você acha que Ele deveria exercer seu papel de Deus?
Usando o poder ilimitado dele para fazer com que mais nenhuma pessoa seja violentada, nenhuma criança tenha sua inocência maculada, ninguém passe fome, não haja guerras, essas coisas.

Por que Deus não pode simplesmente existir, você tem medo dessa possibilidade, ou melhor, tem medo Dele?
Ele pode simplesmente existir sim, mas dadas as condições da raça humana eu posso simplesmente duvidar da existência dele. Se ele for mesmo como os pastores o descrevem eu tenho medo dele sim. Se ele deixa que pessoas passem a eternidade no inferno, eu tenho muito medo dele.

O que faria/sentiria se Jesus voltasse agora e você se deparasse com a realidade de sua promessa?
Eu falaria “puta merda, aquele bando de crente louco tava certo!”

Por que você deixou de crer em Deus, por causa da experiência com os crentes e a igreja ou por outro motivo?
Por causa do inferno. Não posso crer num Deus que tenha o inferno como uma opção para suas criaturas. Eu tenho dó de queimar livros meus ou de jogar fora minhas bonecas de quando eu criança, imagina se eu iria criar um bando de gente, com alma, com sentimentos, com emoções e pensamentos próprios e depois ia deixar que elas passassem a eternidade queimando, gemendo e rangendo os dentes?! Então, basicamente comecei a questionar a doutrina do inferno, dentre outras incongruências da Bíblia. Por fim decidi que não poderia continuar frequentando uma igreja evangélica se não acredito nas premissas básicas da fé que ela prega.

Quando era cristã se sentia livre, amada por Deus?
Me sentia livre, mas desde que eu abrisse mão de certas coisas. Não apenas coisas que qualquer um deve abrir mão, mas coisas simples e inocentes, como ouvir Beatles, por exemplo. Se eu ouvisse “músicas do mundo” já me sentia culpada. Também me sentia culpada se eu passasse um dia sem orar, se eu faltasse ao culto, coisas desse tipo. Mas me sentia amada por Deus, sim. Minha imagem de Deus era de um cara meio hippie eu acho, gente boa pra caramba, doidão, mas paizão também. Com uma imagem dessas não é de se espantar que eu não conseguisse encaixar esse Deus com o Deus “Vingador”, que tem fogo e enxofre para aqueles que não o quiserem. (Agora que me liguei no paradoxo: se minha imagem de Deus era de um hippiezão, por que eu me sentia culpada com coisas tão pequenas? Acho que eu alternava a imagem do hippie-paizão com a do Deus super formal, que exige certas atitudes dos seus filhos.)

Como foi parar na igreja, era crente de “berço” ou era do “mundo” e se converteu?
Era “do mundo” e me converti. Meu irmão que me levou para a igreja. Eram uns dias em que eu andava meio deprimida e acabei “me encontrando”.

Você ouvia Diante do Trono?
Ouvia e gostava muito.

Acreditava em ato profético e afins?
No início nem sabia o que era isso, mas entrei numa igreja que estava começando a transição para o G12, adoração extravagante, atos proféticos, essas coisas, então entrei nessa “vibe” junto com todos os outros.

Era uma adoradora extravagante?
Totalmente extravagante. Achava lindo esse negócio de pular, gritar, rir, chorar, dar pirueta, virar cambalhota… Mas fazia tudo isso com sinceridade. Acho que até mesmo por ter uma personalidade bastante passional. Eu me jogava de cabeça na adoração! E não só com essas manifestações externas, também era capaz de ficar quietinha, só cantando, ouvindo um louvor e curtindo uma sensação boa demais que eu achava até que podia durar para sempre. Quase um transe. Hoje essas boas sensações me assaltam em outros momentos, mas são tão bonitas e puras quanto aquelas que eu acreditava serem proporcionadas por momentos com Deus.

Juliana Dacoregio, no blog Heresia loira.

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