Auto-crítica ao movimento Missão Integral da Igreja

Confesso que me intrigam algumas percepções que tenho tido ao longo desses anos do movimento, com o qual me identifico e que norteou meus 26 anos de pastorado, conhecido como Missão Integral da Igreja. Minha relação com ele começou no final da década de 70, quando cheguei ao seminário, através de alguns professores em sala de aula, e, também, pelas relações eclesiásticas e interdenominacionais que mantinha em função de atividade na liderança de juventude.

Para os que não têm afinidade com o assunto, esclareço que o principal pilar do movimento é a compreensão de que o ser humano é multidimensional e suas necessidades, portanto, não são apenas em relação ao futuro, mas também ao presente.

Tal compreensão parece óbvia. Qualquer pessoa com conhecimentos medianos entende que a vida humana é composta de múltiplas dimensões como, por exemplo, espiritual, material, social, política, emocional e por aí vai.

A teologia, porém, que até então sustentava nossa prática evangelizadora, olhava para o ser humano como se fosse apenas espiritual e que as demais dimensões não tinham importância. Mais do que isso, além de perceber apenas a dimensão espiritual do indivíduo, a ênfase exclusiva era sobre o local onde se passaria a eternidade, se no céu ou no inferno.

Nesse contexto, o movimento enfatiza a compreensão teológico-eclesiológica que vinha sendo discutida desde a década de 60 e que ganha impulso em 1974, no Congresso Internacional de Evangelização, realizado em Lausanne, compreensão que advoga que uma igreja saudável não é aquela que existe exclusivamente para proclamar o evangelho, mas aquela que enfatiza igualmente, em seu seio, a adoração, a comunhão, a educação, a proclamação e o serviço.

(Diga-se de passagem duas coisas: 1) a definição de cada um desses cinco conceitos apresenta N variações; 2) Rick Warren, ao plantar a Saddleback Church, em 79, na Califórnia, hoje muito conhecida pelos “propósitos”, implementou tal visão eclesiológica na estrutura de sua Igreja).

O mérito do movimento foi resgatar a compreensão de que o ser humano é multidimensional e vive não somente em função do futuro, mas também do aqui e agora. Assim, o evangelho deveria apresentar respostas não somente para os diversos tempos – passado, presente e futuro – em torno dos quais a existência humana gira, mas também para as diversas necessidades que a humanidade experimenta. Leia +.

Edvar Gimenes de Oliveira
dica do David Curty

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Auto-crítica ao movimento Missão Integral da Igreja

Deixe o seu comentário