Auto-estima do brasileiro e chororô marqueteiro

A figura acima saiu semana passada (The Economist,claro) antes de nossa “estrondosa vitória” em Copenhagen. Pesquisa mostra como é a auto-imagem dos cidadãos de vários países (confiança e admiração no próprio país). O Brasil está em anti-penúltimo,mal na foto, mas com o anúncio de sexta feira -(créu!)- Lula foi rápido no gatilho:”Enfim podemos nos livrar do complexo de inferioridade“.

Como assim? Complexo está na alma de quem se acha inferior,rapaziada. Acho horrível (acho inferior) estar a toda hora lembrando que não se é inferior. Fico entendiado diante de “vitoriosos” que não se cansam de repetir como venceram a adversidade e se tornaram os masters do universo que são hoje. Vale como marketing, mas uma pessoa realmente vitoriosa precisa mesmo ficar dizendo-”Ei,não se esqueçam,eu venci a adversidade e sou um vitorioso!”?

Se precisa lembrar é porque não se acha. Quem se acha não precisa falar no assunto.

Dignidade pessoal, com ou sem reconhecimento externo, não tem nada a ver com marketing porque não depende de nada que esteja fora de você. Não é estranho que os brasileiros pecisem de reconhecimento segundo parâmetros,digamos, “louros de olhos azuis”, para que se sintam legitimados? Afinal, Cuba,Tanzânia e Gabão já nos acham o máximo,não está bom não? Não.Para fins de marketing,ser reconhecido por um nórdico é melhor do que por um paraguaio. Assim é a vida.

Como atitude de marketing, chororô patriótico faz sentido e acerta na mosca. Marketing não é sobre o que você é, é sobre como os outros percebem você. Segundo a pesquisa acima, estamos mal no quesito auto estima.Que bom que o mundo dos ricos nos dá um tapinha nas costas e diz: “Que deprê é essa, pessoal? Vocês são ótimos. Confiamos em vocês. Arrebentem em 2016!“. Foram eles que disseram… Não devemos ser tão ruins como achamos que somos, né?

O “cara”-(talvez,hoje,o maior marqueteiro do mundo),nesse campo joga muito bem para a platéia interna, e faz seus gols para a externa também-(apesar de contribuir para exacerbar o exotismo com que somos vistos:”choram,cantam e dançam por causa de olimpíadas,mas não estão nem aí para a corrupção,e acham natural o senado que têm”).

Na média, é bem positivo para o cara (ajuda na eleição, se bem que, com a [anti-marqueteira] Dilma Russeff, não sei não…!). Para o Brasil, não sei se será bom.Para o Rio,talvez. Para nós é um empreendimento de alto risco que,de forma alguma implica automaticamente em benefício. Uma boa para nos impormos perante o mundo, é gerenciar o projeto com competência (sem corrupção), dentro do prazo, pelos custos orçados, e deixar um legado em infra-estrutrura inequivocamente bom. Não é fácil. Barcelona deixou esse legado de competência,muitos outros não deixaram.

Seremos capazes disso? Futebol,carnaval,samba e mulata bunduda é fácil. Quero ver é gestão.
Voltando ao “cara”.Se eu fosse o marqueteiro dele teria recomendado:”tenta dar uma chorada bem emocional(lenço juda);vai pegar bem em Garanhuns (quer dizer,no Brasil),e gerar muita simpatia em Paris,Londres e Milão”.

Gênio, reconheço. Agora, se não foi “performance”, foi patetice. Grave,porque sincera. Patetices, nem sinceras interessam para angariar o respeito que conta.

Resumo: a escolha do Rio é um reconhecimento do progresso que o Brasil tem feito como país. É claro que ser reconhecido pela Dinamarca é mais interessante do que pelo Gabão para efeitos de comércio e fluxos de investimento, mas precisa chorar para comemorar isso?

Nossa dignidade como povo não depende dessas coisas…Essa, não tem a ver com marketing porque só depende de nós. Um passo para obtê-la é nos educarmos para deixar de nos comportar como colonizados.

Clemente Nóbrega, no blog Ideias e Inovação.

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