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Já se passaram 400 anos da primeira observação de telescópio por Galileu Galilei e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, e muita gente ainda parece não ter percebido. No Brasil, em particular, devido aos problemas da educação e a inclinações culturais, os conceitos não parecem ter sido assimilados; há ainda muita confusão sobre seus valores e limites. Associa-se sempre o conhecimento científico à arrogância, à falta de humildade, à vaidade de explicar “coisas maiores que nós”, como tanto se ouve dizer. Mesmo pessoas de boa formação afirmam, por exemplo, que a ciência não pode provar que Deus não existe, como se esta fosse a questão central. E assim as contribuições desde Copérnico até o Genoma ficam mal compreendidas e, pior, não se sente nelas o encantamento com a natureza que lhes é inerente. Nem mesmo todas as efemérides em livros, revistas e jornais conseguem mudar isso. […]

Precisamos de mais mentalidade científica nas escolas, de mais fundações de amparo público e privado, de melhores museus, de mais autores de livros que não fiquem apenas no didatismo gracioso – e que vejam esse trabalho no mesmo patamar da própria pesquisa. Afinal, obras como Vida Maravilhosa, de Stephen Jay Gould, e Cosmos, de Carl Sagan, para citar apenas dois críticos do determinismo que muito me marcaram quando jovem, são o melhor caminho. Revelam a fascinante tapeçaria da natureza e nos convidam a partilhar o pouco que sabemos, independentemente de haver ou não um criador. Só assim os delírios e as calúnias poderão perder espaço para o encanto das ciências.

trecho desse texto imperdível de Daniel Piza.

vua Mauricio Serafim

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