Firmes como o monte Sião

O Salmo 125 é mais um dos salmos da caminhada. Os salmos da caminhada eram rezados durante as romarias para Jerusalém, que se faziam três vezes ao ano, nas festas dos Ázimos (ou Páscoa), da Colheita (ou Pentecostes) e das Tendas (ou dos Tabernáculos). Dos lugares mais distantes, o povo vinha caminhando para Jerusalém, a capital, a cidade maravilhosa.
Jerusalém marcava a vida do povo de duas maneiras: uma positiva e outra negativa.

Maneira positiva. Em Jerusalém estava o Templo, a casa de Deus! O povo romeiro vinha rezando e cantando para encontrar-se ali com Javé. O Templo estava construído no topo de uma pequena montanha, chamada monte Sião. Por isso, o povo rezava: “Aqueles que confiam em Javé são como o monte Sião: ele nunca se abala, está firme para sempre!”
Cercado por muralhas e montanhas, o monte Sião, com seu Templo, estava firme, inabalável. O povo do interior, quando vinha fazer suas romarias e devoções na capital, observava a grandeza do Templo e a firmeza das muralhas e montanhas. Esse conjunto imponente lhe dava uma sensação de segurança. Fazia lembrar a proteção que recebia de Deus. Por isso, rezava: “Jerusalém é rodeada de montanhas, assim Javé envolve o seu povo, desde agora e para sempre”.

Maneira negativa. Em Jerusalém estava também a sede do governo, o palácio dos reis. Os reis diziam que governavam em nome de Javé. Na realidade, exploravam o povo com seus tributos. Muitos desses reis foram causa de sofrimento para o povo (1Reis 12,4), e alguns deles chegaram a encher a cidade de sangue inocente (2Reis 21,16). Os reis usavam o Templo e a religião como instrumento para se enriquecer e para fortalecer a sua dominação sobre o povo. Não é sem motivo que o salmo os indica com a expressão “o domínio dos injustos”!

Os profetas não tinham medo de criticar e de condenar os reis que maltratavam o povo (1Reis 18,18; Jeremias 21,11-12). O povo que vinha fazer suas romarias e rezas percebia a contradição que pesava sobre a cidade. De um lado, o Templo, a casa de Deus, lugar de encontro e de reabastecimento da consciência e da fé. De outro lado, o palácio dos reis, fonte de exploração e de alienação.

Os reis tinham uma influência muito grande na vida e no modo de pensar do povo. O que eles diziam era lei. O autor ou autora do nosso salmo estava sofrendo as conseqüências do domínio dos reis injustos e manifesta sua preocupação. Pois, caso esse domínio se prolongasse por muito tempo, todo mundo acabaria pensando como eles. Os pequenos iriam imitar os crimes dos grandes!

No salmo, ele ou ela transforma essa preocupação em prece, e reza: “O domínio do injusto não permanecerá sobre a parte dos justos, para que os justos não estendam a mão para o crime”.

E termina com um pedido, que resume o desejo mais profundo do seu coração: “Javé, faze o bem aos bons, aos retos de coração. E os que se desviam por caminhos tortuosos, que Javé os rejeite com os malfeitores”! Ou seja, o salmo pede para que o lado positivo de Jerusalém possa prevalecer sobre o lado negativo.

Carlos Mesters

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