O desemprego e a geração Facebook

Bem-preparada, mas sem oportunidades, a juventude americana pode se tornar a maior vítima da crise econômica

Depois de morar por seis meses em um apartamento com colegas de faculdade, Eric Georgantes, de 23 anos, teve de voltar para a casa dos pais. O motivo, impensável antes da crise econômica, hoje é cada vez mais comum entre universitários americanos: apesar de estudarem em grandes universidades, nem ele nem seus três colegas conseguiram um emprego de meio-período para pagar o aluguel.

Bem-preparado mas inexperiente, Eric é um retrato da chamada “geração Facebook”: jovens universitários e recém-formados que tiveram o azar de entrar no mercado de trabalho em um dos piores períodos da história da economia americana – e agora pagam por isso.

“Estou no último ano de Ciência Política, mas meu último emprego foi o de cuidador de cachorros, há um ano”, diz Eric. “Procurei trabalho em lojas, restaurantes e até na universidade, mas não consegui nenhuma entrevista. Com 9,8% de desemprego no país, era de se esperar.”

Tradicionalmente, a taxa de desemprego nos Estados Unidos flutua entre 4% e 5%. Com o impacto da crise econômica, essa porcentagem dobrou. Os jovens foram os mais afetados. Em setembro de 2009, apenas 46% dos americanos com até 24 anos estavam empregados. É o menor índice desde que o governo americano começou a medir essa estatística, em 1948.

Os números mostram uma nova e preocupante realidade no país. Com a recessão, muitas das vagas de emprego em lojas e lanchonetes, antes destinadas a universitários, deixaram de existir. As que sobraram passaram a atrair pessoas mais velhas que perderam o emprego devido à crise – e têm mais experiência e tempo disponível do que os estudantes.

Para piorar a vida dos estudantes, universidades que mantinham seus preços congelados há muitos anos tiveram de aumentá-los para conter os efeitos da recessão. O resultado: nunca foi tão caro – e tão difícil – cursar uma faculdade nos Estados Unidos.

Segundo a Secretaria de Educação do país, o universitário americano tem, em média, uma dívida de US$ 27 mil (cerca de R$ 47 mil) ao se formar. A inadimplência vem crescendo ao longo dos anos. Em 2007, chegou a 6,7%. Os números de 2008 e 2009 ainda não foram divulgados, mas a expectativa do governo é de um aumento acentuado.

O motivo para o pessimismo é simples: ao contrário do que ocorria no passado, o diploma universitário deixou de ser garantia de emprego nos Estados Unidos. Antes da crise, a taxa de desempregados com ensino superior completo chegou a irrisórios 2,6%. Agora, ela é de 18% para jovens até 24 anos, e 11% entre os que têm 25 e 29 anos. Se forem descartados aqueles que estão subempregados, o número é ainda mais impressionante. Segundo a Associação Nacional de Faculdades e Empregadores (Nace, na sigla em inglês), apenas 1 em cada 5 formandos de 2008 conseguiu um emprego em período integral na sua área de formação. Leia +.

fonte: Época

se a coisa tá assim nos Estados Unidos, imagine no Brasil…

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