Lutero: "É Deus quem enforca"

“Assim, Lutero teve de transferir para o Estado a maior parte da autoridade que tinha pertencido à Igreja; portanto, defendia o direito divino dos reis. ‘A mão que empunha a espada secular não é uma mão humana, e sim a mão de Deus. É Deus, e não o homem, quem enforca, e despedaça na roda, e decapita e chicoteia; é Deus quem arma a guerra’ † À medida que envelhecia, Lutero tornava-se mais conservador do que os príncipes. Aprovou a exigência do trabalho forçado e os pesados direitos feudais do camponês; e quando um barão tinha comichões de consciência Lutero tranqüilizava-o afirmando que se tais encargos não fossem impostos aos plebeus, eles se tornariam insuportaveis. ‡ Citava o Velho Testamento dizendo que ele justificava a escravidão. ‘Os carneiros, o gado, os criados e as criadas eram todos bens vendáveis se assim aprouvesse a seus senhores. Seria bom se ainda fosse assim. De outro modo homem algum poderá obrigar ou domar a gente servil.'” ¥

† Werke, XIX, 626, in Allen, Political Thought, 22.
‡ Bax, Peasants War, 351
¥ Werke, XV, 276, in Bax, 352

Trecho do livro “A reforma: história da civilização européia de Wyclif a Calvino: 1300-1564” por Will Durant
Capítulo XX, página 375
ISBN 85-01-28826-8
Editora Record, 2002

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