Ameaça islâmica e narcisismo diletante

Uma Palavra ao Pastor Eli Fernandes

Meu caro Eli,

Saudações Nordestinas!

O tempo passa rápido, e me lembro de você e do seu irmão Estevão adolescentes; de vocês no Seminário Batista; de você na Aliança Bíblica Universitária (ABU). Hoje, todos nós daquele tempo, agradecemos ao Senhor da Igreja pela liderança de ambos.

Gostaria de, publicamente, externar o meu agradecimento pelo seu texto: Muçulmanos? Outra vez não! É um testemunho, uma advertência, um chamamento. Subscrevo suas palavras, endosso o seu conteúdo, sinto a sua angústia, apoio a sua iniciativa.

É um fato histórico que a cimitarra ceifou a vida de milhares de mártires, no que antes foi um espaço florescente da Igreja, e no que é hoje o deserto espiritual, do que foi denominado pelos missiólogos de “Janela 10/40”. Quem não morreu foi convertido à força, restando uma minoria tolerada e discriminada, sobrevivente, e assim tem sido por muitos séculos. A Península Ibérica foi ocupada, e, finalmente, o flagelo foi detido em Poitiers e Viena por exércitos de cristãos.

Como você bem sabe, Israel não foi uma realidade subjetiva, mas um reino histórico, concreto, com seus erros e acertos, com batalhas ganhas e perdidas. Assim, as debilidades e erros da Igreja no Oriente Médio e no norte da África não justificam a intrínseca intolerância religiosa islâmica, e nem o caráter pecaminoso e delituoso da conversão dos seus seguidores a outras expressões da fé.

A unicidade Religião+Estado, a dimensão geopolítica da fé é intrínseca aos ensinamentos dos seguidores de Maomé, desconhecido o princípio do Estado Democrático de Direito, da Laicidade, da separação Religião vs. Estado, da liberdade religiosa, conforme contida nas cartas internacionais de Direito.

Com o ocaso das ideologias globais, como sinal do fim da modernidade, bem assinalou Samuel Huntington, as religiões se constituem em variáveis importantes do seu livro-tema O Choque das Civilizações. Não vivemos nas nuvens, mas na História. O lugar das religiões nas civilizações, estados e impérios não é algo que se proponha, mas um dado da História. A fé se organiza em sistemas e instituições, porque somos seres sociais e não anjos, e porque do Senhor recebemos um mandato cultural. O lugar dos cristãos normais – espiritual e mentalmente sadios – é nas instituições, onde se trava a luta entre a Graça e o Pecado, entre a deforma e a reforma.

O martírio é uma honra, mas apenas os masoquistas o desejam, e os egoístas o desejam para os outros. O fim do laicismo iraquiano, e a presente guerra dizimaram a histórica e Uniata Igreja Caldeia, com ¾ dos seus um milhão de membros desalojados. Os cristãos são proibidos, presos, torturados, ou tratados como cidadãos de segunda classe na maioria do território islâmico.

A Europa, com o egoísmo da sua não-procriação vai se tornando um continente descristianizado, e a lei sharia (para tristeza das próprias mulheres islâmicas) já vai sendo adotada na Inglaterra, enquanto que em praticamente toda a Europa a ideologia secularista vai manifestando a sua cristianofobia. Tempos difíceis esses, meu amado irmão! É nosso dever pregar o Evangelho a toda criatura, sem que isso nos torne idiotas, qual Cavalos de Tróia, a abrir as portas dos nossos países para os que nos vêm oprimir.

Nem só de mau-caratismo e heresia padece o Cristianismo, mas de enfermidades da mente e da alma, particularmente a megalomania e o narcisismo, que leva ao isolamento, à sensação de superioridade e de certeza, ao julgamento arrogante e acusador contra todos os demais “errados”. Enfermidade que se esconde por trás do verniz intelectual de um anarquismo mal digerido.

É fácil, meu caro Eli, aparecer no Oriente Médio e no Norte da África apenas como guia turístico de luxo, a percorrer ruínas. É fácil, meu caro Eli, se pretender ensinar a história desde o conforto das piscinas nas mansões da ilha da fantasia. Meras elucubrações inconsequentes, masturbações intelectuais descompromissadas, desconectadas do cotidiano do Corpo.

Você tem razão Eli, e a maioria dos discípulos do crucificado, dos que não resistiram à Graça, dos membros da Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, dos que integram o Cristianismo, dos que não se envergonham de serem parte da Cristandade (malgrado suas contradições e ambiguidades), todos nós, reconhecemos que você tem razão.

Consciência, arrependimento, humildade, consagração, unidade, verdade, mangas arregaçadas, missão. Diante do Crescente que se aproxima ameaçador – e enquanto a Nova Jerusalém não chega – com nossos irmãos do Movimento de Renovação Espiritual dos anos 1960, cantemos orantes e resolutos: Os Guerreiros se Preparam para a Grande Luta!

Receba o meu abraço!

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano

para entender o “causo”, leia Eles mesmos estão vindo!

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