Uma marca chamada Jesus


Sentado no ônibus urbano em João Pessoa, observo a paisagem. Uma coisa me chama a atenção. No meio das milhares de propagandas, pichações e faixas uma coisa sobressai.

O nome “Jesus” está espalhado por todos os lados.

Nos vidros dos carros – normalmente o carro é de Jesus ou dirigido por Ele. Nas paredes das diversas igrejas – que nem sei o nome – existentes por todo o trajeto do ônibus. Nos muros, nas paredes, nas camisetas das pessoas, nos bonés, nas capas dos cadernos escolares, nas fachadas das lojas, nos nomes de estabelecimentos comerciais, nos carrinhos dos vendedores ambulantes, na voz do homem que grita freneticamente na rua, na música do carro do vendedor de DVDs, nas palavras de quem pede a esmola, nas conversas do motorista com o cobrador, no sussurro dos passageiros, nas mãos da passageira que distribui os ‘santinhos’, na cabeça de quase todas as pessoas que estão dentro do ônibus. Está também nas faixas estendidas sobre as ruas: as que anunciam a sua volta ou o final dos tempos se isto não acontecer. Nos outdoors que propagam a sua divindade e a sua extrema necessidade na vida das pessoas.

E, segundo toda esta parafernália publicitária, só Jesus salva. E pergunto:

Salva do quê?

Não sei do que vou ser salvo, mas uma coisa eu sei: Percebi que Jesus hoje é uma marca… e um produto. É como a Coca-Cola, a Pepsi, a Marlboro, a Votorantim, a Renault, a Volkswagen, a Petrobrás ou qualquer outra empresa; todas têm os seus produtos, o da marca “Jesus” é a fé. E a marca é anunciada de uma maneira extremamente agressiva e competente pelos detentores do “direito” de explorá-la, divulgando como bem quiserem o seu produto.

A marca “Jesus” envolve milhares de empresas, milhares de igrejas, milhões de pessoas. Valiosíssima – bilhões de dólares não a comprariam – é meio que tabu.

Não é muito inteligente colocar a figura de Jesus no antro da sujeira do sistema capitalista.

Qualquer pessoa pode sofrer represálias por estar “ferindo” a divindade personificada de Jesus, defendida com unhas e dentes pelos pseudodonos da marca. Mas é a mais pura verdade.

Observe as ruas, os canais de televisão, as emissoras de rádio, os jornais, as revistas… Quantas pessoas, segundo os seus próprios seguidores dizem, gritam o seu santo nome em vão. E gritam normalmente por questões de poder, jamais por fé, porque dá pra perceber que a “fé” dessas pessoas é meramente ritualística e está ligada ao conceito da exploração política e econômica das pessoas incultas, cujas crenças religiosas são impostas por eles.

Eu particularmente entendo que a fé é um ato “puro, inteligente, sublime e iluminado” e jamais pode acontecer no meio das trevas da ignorância, propagada pelos proprietários da marca.

E Jesus está aí! Pelo Brasil afora, vendendo que só! Com certeza com uma senhora dor de cabeça!
Ele sabe que o seu nome está sendo usado indevidamente pelos usurpadores da sua santidade, pelos que há muito se apossaram da sua marca registrada nos anais da história do cristianismo. E Ele sabe que não resta outra coisa a fazer. E com urgência: Ele precisa pegar o seu chicote e expulsar novamente os vendilhões dos templos… e são muitos! Que exploram escandalosamente o seu sagrado produto. E com ele fazem dinheiro. Muito dinheiro! Na maior cara de pau. Sem medo de irem para o inferno.

De um ateu, muito seu amigo.

TõeRoberto

Fonte: KARAMINHOLAS

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