Álcool e literatura ou por que os escritores bebem?

“Beber fazia pessoas desinteressantes terem menos importância e, tarde da noite, não terem importância alguma”. Lillian Hellman

“Só a luxúria e a gula valem alguma coisa”. John Steinbeck

“Bebo exatamente o quanto quero, e um drink a mais”. H.L. Mencken

Chame de arte, ciência ou alquimia. Seja o que for, a coquetelaria, ou como a chamam atualmente, a drinkologia, é uma atividade de firmes raízes no mundo anglo-saxão.

Os países latinos e/ou mediterrânicos da Europa, com sua tradição vitivinícola, se aprimoraram na sutileza e nos rituais de consumo dos seu produtos. O resto da Europa do norte foi fundo no desenvolvimento da cerveja, originária no Oriente Médio. E o coquetel moderno não existiria sem o desenvolvimento da destilação do álcool, que, inventada pelos árabes antes do século X, só se torna comum na Europa por volta do século XV.

O ciclo dos descobrimentos teve como fator fundamental a busca por especiarias, que passaram a ser usadas pelos monges nos mosteiros para a produção de licores, como o Benedictine. O comércio das aguardentes de cana, a cachaça e o rum, era um dos pilares do comércio colonial. Estava tudo ali. Álcool destilado, sabores exóticos de frutas e ervas, mas ainda assim faltava o ingrediente anglo-saxão!

As aventuras navais britânicas levaram às necessidades etílicas do seu povo, grande consumidor de cervejas e tradicional importador de vinhos da França e de Portugal, para lugares desprovidos de opções de qualidade. Daí que os porões dos navios transportassem rum, nem sempre de boa qualidade, para a ração diária da tripulação. A solução? Misturar com outros sabores.

Um dos mais antigos coquetéis é o grog, justamente a combinação destes dois produtos que fizeram a fortuna de britânicos, o rum e o chá. Aliás, o rum foi consumido por mim e por muitos outros, por muitas gerações, mais como leitura do que em sua forma líquida.

Explico: como Jorge Luis Borges, sou um apreciador de literatura anglo-americana de aventura do século XIX. E a menção ao rum é líquida e certa em qualquer livro que trate de tipos populares, seja em Melville, Stevenson ou Dickens. Os personagens sorviam litros e litros desta aguardente do Caribe.v A sofisticação de uma certa classe popular na Inglaterra e nos Estados Unidos, o aumento da mobilidade social e das viagens internacionais transformou gradativamente a taberna com estalagem no hotel com um bar. Bar este frequentado por gente de todo tipo que, se não bebia vinho de boa qualidade ou a popular cerveja, buscava ali alguma experiência etílica mais elaborada. Leia +.

Mauricio Tagliari, no Terra.

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