Em defesa da preguiça

“O trabalho tende ao repouso, e não o repouso ao trabalho” (Aristóteles).

“O operário coloca sua vida no objeto. Mas então esta não lhe pertence mais, pertence ao objeto” (Marx).

“Trabalhar por trabalhar é loucura ou prisão” (André Comte-Sponville).

Mário de Andrade tinha 25 anos quando escreveu um texto de três páginas que publicou no jornal paulistano A Gazeta no dia 3 de setembro de 1918. O título: “A Divina Pre­­guiça”. É um texto pouco citado e, desconfio, pouco lido. O que é curioso, já que a exclamação de Macunaíma – “Ai, que preguiça!” – é repetida como um bordão consagrado sempre que se fala a respeito do herói sem ne­­nhum caráter.

O romance Macu­naíma foi publicado em 1928, portanto Mário teve pelo menos dez anos para virar e revirar em sua mente as ideias que lançou no artigo em que sintetiza uma crítica ao trabalho, um elogio do ócio e uma divinização da preguiça. Mas não se trata de qualquer preguiça, nem de qualquer ócio ou de qualquer trabalho.

A data em que o artigo foi publicado é importante, pois na Europa a Primeira Guerra Mun­­dial ainda rugia – terminaria dentro de três meses. O horizonte a partir do qual Mário enfoca a questão são os descaminhos que levaram à guerra e os princípios segundo os quais se pensa a civilização. Por isso o artigo inicia lembrando a oposição que habitualmente é feita entre momentos “de progresso, de estacionamento e de eras em que a civilização volta atrás”, equívoco que Mário combate. “Na passagem das civilizações” – diz ele – “como na própria vida, tudo é marchar”. Leia +.

fonte: Gazeta do Povo

texto ótemo p/ quem trabalhou durante todo o feriado como eu… =)

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