Mar de lama

Sob o título “A César o que é de César”, publiquei, ontem, às 19h02m, o comentário que segue:

“César Benjamin, colunista da Folha de S. Paulo, um dos fundadores do PT, fez uma grave acusação ao presidente da República.

Em artigo publicado, hoje, no jornal, disse que Lula lhe contara que, uma vez preso no início dos anos 80, tentara estuprar, sem sucesso, um colega de cela.

Ninguém conta algo dessa natureza sem dispor de provas ou de testemunhas.

Benjamin está obrigado, pois, a mostrar provas ou apresentar testemunhas do que ouviu.

Do contrário, não escapará da acusação de que é um leviano, mentiroso e irresponsável.”

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O marqueteiro Paulo de Tarso, citado por Benjamin como uma das testemunhas da conversa dele com Lula, disse por meio de nota que participou do encontro. Não confirmou o que Benjamin alega ter ouvido. Acrescentou que não lembra se Benjamin estava de fato presente.

O cineasta Sílvio Tendler, referido por Benjamin como “o publicitário” que também ouviu a conversa, disse hoje à Folha de S. Paulo e ao site TERRA:

– Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira.

A VEJA localizou o tal ex-preso que, segundo Benjamin, teria reagido a socos e a cotoveladas ao suposto assédio de Lula. Por meio de um amigo, João Batista dos Santos, que hoje mora em Caraguatatuba, no lotoral norte de São Paulo, declarou:

– Isso tudo é um mar de lama. Não vou falar com a imprensa. Quem fez a acusação que a comprove.

Benjamin não precisa mais provar que ouviu de Lula o que disse ter ouvido. Seu desafio agora é provar que Lula não estava brincando como afirma Tendler.

Quanto a João Batista dos Santos, esse deixou passar uma ótima oportunidade para enterrar de vez a história. Bastaria ter dito que nunca foi abordado por Lula.

É possível entender a razão pela qual Lula se nega a processar Benjamim como adiantou, ontem, seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho.

Desbocado como é, dado a molecagens como sempre foi, ele de fato contou a Benjamin o que Benjamin disse ter ouvido.

Ricardo Noblat

O artigo (nojento) de César Benjamin pode ser lido aqui. A entrevista de Sílvio Tendler para Bob Fernandes, do Terra Magazine, aqui. Neste link, um texto de quem conhece bem o cabra que escreveu as acusações.

Depois da ficha falsa da Dilma e da “ditabranda”, a Folha continua célere em direção ao fundo do poço. Felizmente, credibilidade ñ se compra c/ brindes p/ os leitores.

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