‘Pai’, abençoa este corrupto…

Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha”.

A “oração” que o deputado distrital e corregedor da Câmara Legislativa do Distrito Federal fez pelo corrupto Durval Barbosa é de uma canalhice sem tamanho na história do evangelho brasileiro. O que dirão agora os defensores da política na igreja? O que dirão os que acham que a igreja deve estar imiscuida com os políticos?

A igreja jamais precisou dos políticos seja lá para o que for. Ao contrário, os políticos é que sempre andaram atrás de alguns pseudo-líderes que jamais hesitaram em vender seus púlpitos por qualquer trocado, já que o negócio é monetário e consequentemente as mesuras a adulações do passado já não servem mais para dar um lustro no ego destes líderes. Podem até receber os salamaleques e condecorações, mas desde que venha em primeiro lugar grana, muita grana.

Este caso de Brasília e do deputado Brunelli é só uma ponta do iceberg do que acontece no meio da igreja brasileira, onde cada qual tem o seu candidato, menos por ideologia ou amizade e mais por puro interesse financeiro mesmo, afinal o que importa é o número de eleitores que cada qual domina nos seus rebanhos. Ou seja, o povo na maioria das vezes é chamado a votar no candidato que o cacique religioso indicar e para tanto, a mão do santo, ops, do homem de “Deus” tem que ser devidamente molhada, ou preenchida com régias quantias.

É só conhecer os bastidores da igreja – ou de algumas igrejas e associações religiosas no Brasil, para saber que os velhacos fazem negociatas com políticos a torto e a direiro sem se incomodarem com o que se passa ao seu redor.

Junior Brunelli deu azar e foi apanhado com a boca, ou melhor, com a mão na grana, num vídeo que mostra a crua realidade do que se costuma chamar de evangelho de resultados na igreja brasileira. Se todos os negócios com políticos fossem revelados outros pseudo-líderes cristãos brasileiros seriam devidamente desmascarados e expostos, e mais ainda, quantos deles seriam pegos “orando” por seus corruptores, chamando-os de “bênçãos” para as suas vidas?

O caso é grave e não pode ser tratado de forma isolada, pois o escárnio e a falta de qualquer tipo de espiritualidade e prática cristã ficaram evidentes e hoje o que se vê é um espanto coletivo da sociedade, principalmente aqueles que não são evangélicos e que se perguntam se não devemos ser o sal da terra e a luz do mundo. Por isto se entende ser diferentes de tudo o que nos cerca. Por isto se entende que não somos iguais aos ladrões, aos corruptos, aos mercenários, aos espertalhões de qualquer matiz.

O pior de tudo isto é que daqui a pouco vão surgir os defensores deste tipo de gente, falando nos seus programas televisivos medíocres dizendo que tudo não passa de armação e conspiração contra o povo de “Deus”, e mais pior ainda é que tem gente que acredita piamente nisto.

Estes velhacos travestidos de pregadores do evangelho só querem tomar grana dos políticos que os corrompem diariamente em busca de apoio e guarida. Não precisamos da política, precisamos é pregar o verdadeiro Evangelho de redenção, da graça, da misericórdia e não estar metidos com negociatas e escândalos com quem quer que seja. No ano que vem teremos eleições e as movimentações de bastidores já começaram e nos próximos meses veremos quem apoia quem.

Hoje, há um leilão frenético e quem pagar mais vai levar o apoio de alguns figurões da igreja brasileira, que certamente custarão milhões de dólares devidamente pagos no oculto e no escondido com dinheiro sujo que vão diretamente para os bolsos destes homens e para financiar programas de rádio, de televisão e projetos pessoais, quando não para enriquecimento mesmo.

Uma pena que seja assim, e dá saudades dos tempos em que os verdadeiros homens de Deus, entravam no ministério para pregar a palavra e terminavam as suas vidas mais pobres do que haviam entrado. Hoje, um destes muitos velhacos querem ser ministros evangélicos e ter influência para poder conseguir mais dinheiro dos seus corruptores as custas de gente simples que vai incitada a votar nos candidatos que devidamente pagarem aos seus líderes.

Será que não está na hora de a igreja brasileira ser passada a limpo e vermos quem é quem de verdade?

Jehozadak Pereira

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