"Pornografia também é cultura", diz senador

Aprovada na última segunda-feira, 30, a criação do vale-cultura segue para votação em plenário, ainda sem data definida. Se passar, vai para sanção do presidente Lula.

A proposta, elaborada pelo Ministério da Cultura, prevê que os trabalhadores que ganham até cino salários mínimos recebam R$ 50 mensais das empresas credenciadas para utilizar no consumo de produtos culturais, como shows, peças de teatro e livros.

Durante a tramitação do projeto pelo Senado, houve ainda a inclusão da possibilidade de compra de jornais, revistas, fascículos, guias e almanaques.

A emenda, incluida pelo senador Augusto Botelho (PT-RR), é alvo de questionamento devido a brecha para que o trabalhador possa adquirir, dentre outras coisas, revistas pornográficas com os recursos do vale.

Botelho cogitou retirar a emenda por conta dessa possibilidade, mas voltou atrás. “Temos somente cinco livrarias em Boa Vista, no interior não tem. Mas há bancas de jornal em todos os municipios. Revista e jornal também são fontes de cultura”, diz. “Se você analisar bem, pornografia é um tipo de cultura”.

Terra Magazine apurou haver um lobby no Congresso pela inclusão de períodicos no vale-cultura, feito pela ANJ (Associação Nacional de Jornais) e pela ANER (Associação Nacional dos Editores de Revistas).

Por meio de seu diretor-executivo, Ricardo Pedreira, a ANJ negou estar pressionando parlamentares pela aprovação. Mas apoiou a medida, qualificada por ele como “muito positiva”.

Já a ANER admitiu o lobby. “Trabalhamos bastante, eu mesmo passei por todas as comissões lá em Brasília”, diz Roberto Muylaert, presidente da entidade. “A receptividade foi muito boa”.

Umas das relatoras do projeto do vale-cultura na Câmara, a deputada Manuela D’Avila diz que houve um debate com o ministério da Cultura sobre a idéia de criar um selo para identificar qual periódico é, de fato, cultural.

“Mas é um debate complicado, porque pode cair em um dirigismo cultural”, pondera.

De acordo com a ANER, dentre as 4 mil revistas cadastradas pela associação, apenas 3% são tidas como inadaquedas para o consumo pelo vale-cultura.

“O que é acessível para todo mundo é a revista. O resto, só nos grandes centros”, defende Muylaert. “Revista é o primeiro passo para o livro”, diz.

fonte: Terra Magazine
dica do Jarbas Aragão

se a grana é p/ ser usada em “cultura”, a maior parte do que é publicado hj vai ficar de fora.

a Playboy ñ se enquadra no vale-cultura por outro motivo. depois da overdose de mulher melancia, melão e moranguinho, é melhor usar o vale-hortifrúti. =)

ps.: acabei de descobrir que foi eleita em Sergipe a garota quiabo. é abobrinha d+…

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