Nos negócios, o que importa é conseguir criar algo especial

Ele começou seu império vendendo discos. Trinta e oito anos depois, o bilionário britânico Richard Branson comanda mais de 400 empresas e investe em áreas tão diversas como turismo espacial e combustíveis menos poluentes. De Necker Island, ilha carbenha onde mora, o empresário falou a VEJA.


O senhor tem mais de 400 empresas. Como faz para administrar todas?

É claro que não consigo acompanhar todas, mas tenho uma equipe competente em que confio. São mais de 70.000 empregados sendo comandados por pessoas muito competentes. Eu tento não interferir muito, deixá-las à vontade para experimentar e até mesmo errar. Prefiro elogiar a criticar, para sempre ter a equipe motivada.

E o que todos os empreendimentos Virgin têm em comum?
Nós somos a empresa que gosta de investir nos azarados, não nos que já são um sucesso. Na Fórmula 1, escolhemos uma equipe pequena para investir (Brown GP), e conquistamos o campeonato. Na aviação, somos a empresa pequena que enfrenta a British Airways. Quando as viagens espaciais estiverem viabilizadas, quero que sejam acessíveis para todas as pessoas. Tentamos não nos levar muito a sério e nos divertir bastante.

Este ano o senhor investiu na Fórmula 1. Como foi essa decisão?
Como disse, adoro investir nos azarões. Quando a Honda decidiu sair da Fórmula 1, parecia que [Jenson] Button não poderia participar. A equipe precisava de pouco dinheiro para a primeira corrida e um amigo meu, que era piloto de teste do carro deles, disse que eles tinham potencial. Então resolvi investir. Peguei o último avião para a Austrália com alguns adesivos da Virgin na minha maleta. Quando cheguei a Melbourne, colei pessoalmente o patrocínio no carro de corrida. E começamos bem. Eles chegaram em primeiro e segundo lugares. Foi super divertido. Mas como gosto dos azarões, acho que não vamos patrocinar a equipe novamente no próximo ano. Talvez eu procure uma equipe que esteja começando. A boa notícia é que Brown agora está estabelecida e é um sucesso.

Falando em azarões, o senhor tinha o Rubens Barrichello em sua equipe.
Vocês, brasileiros, deveriam ter orgulho dele. Ele é uma ótima pessoa, foi um prazer trabalhar com ele todo esse tempo. Eu estava torcendo pelo Rubens Barrichello, mas não funcionou. Acho-o um grande corredor. Ele teve azar nessa corrida, mas ter o Brasil na pole position não é pouco. Além disso, ele tem carisma, e muitas pessoas na Fórmula 1 torcem por ele.

E no Brasil, o senhor não pensa em investir?
Certamente, mas ainda não tenho um plano definido. Primeiro, pensamos em criar uma linha aérea doméstica no Brasil, mas isso ainda está em fase de análise. Meu próximo projeto é investir no etanol. Criamos um tipo de etanol que pode ser usado em aviões, então estou conversando com alguns fazendeiros brasileiros para ver a viabilidade dele ser produzido aí. Além disso, vocês serão sede da Copa do Mundo e da Olimpíada, seríamos bobos se não investíssemos no Brasil. Deve ser um momento de orgulho para os brasileiros. Leia +.

fonte: Veja

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