O profeta

Hoje pela manhã, enquanto me preparava para mais um dia de trabalho, circulava pelos canais da TV e deparei-me com um tele-evangelista (?) que pedia (mais parecia uma intimação) ajuda financeira para manter seu programa de TV que toma todo o horário da madrugada. Começando com um tom sereno em suas palavras, um sorriso (que há alguns anos ele não trazia em seu rosto) forçando uma simpatia (que ele não tem) disse: “Libero essa palavra profética para sua vida. Se você tiver coragem de pô-la em prática, você será uma pessoa muito abençoada e cumulada de bens materiais e prosperidade. Eis a palavra: contribua conosco e assim Deus lhe retribuirá tremendamente”.

Há algum tempo esse mesmo sujeito que se intitula “profeta de Deus”, “homem de Deus”, etc, apelou para a numerologia para justificar a quantia de R$900,00 por pessoa (ele disse que precisava de 1000 “parceiros”, antes estes eram chamados de “irmãos”) para manter o programa. Se eu fosse falar das estratégias/falcatruas que ele e muitos outros usam para arrancar dinheiro dos incautos (e muitas vezes avarentos) fiéis perderia o propósito desse meu comentário.

Depois que vi esse tal pedir dinheiro, me deu ânsias de vômito quando no próximo quadro de seu programa estava a sua esposa num quadro de culinária “a la Ana Maria Braga”, ensinando as “parceiras” (antes eram irmãs) a fazerem um bolo (que até a minha filha de 5 anos daria conta de fazer) e para justificar o quadro ela disse: “Veja só minha irmã, você pode fazer esse bolo e levar para sua vizinha e aproveitar para evangelizá-la”. Não sou contra essa “estratégia” evangelística de levar mimos para uma pessoa e aproveitar a oportunidade e pregar-lhe o Evangelho. O que me deixa indignado é a fortuna que eles gastam para manter esse programa no ar para ensinar essas coisas (pelo menos o bolo se não estiver estragado como a mensagem que eles pregam até que ainda é justificável). Uma tremenda falta de propósito.

Enfim, decidi mudar de canal. Num telejornal foi mostrada a terrível situação climática do Brasil. Enquanto o Sul e o Sudeste sofrem terrivelmente com enchentes, o interior do Maranhão sofre com uma seca que dura mais de 2 anos. De imediato lembrei-me do tal pregador que libera palavra profética. Minha mente trabalhou rápido e me reportou aos profetas (de verdade) tais como Elias e Eliseu. Se o tal “profeta” que libera palavras proféticas fosse um profeta como Eliseu, o Maranhão estaria salvo da seca. Mas, pobre Maranhão… se depender dos profetas de hoje, esse povo continuará ainda mais seco.

Talvez você esteja se perguntando: “Mas, porque cargas d’água esse tal Pastor Olivar está falando tudo isso? Ele também não é um pregador do Evangelho? Não cabe a ele também orar por quem sofre?”. É verdade, cabe a mim também. Pelo menos eu não fico iludindo as pessoas com “palavras proféticas” que no final enchem só o meu bolso. Pelo menos não fico explorando pessoas fracas espiritualmente que necessitam correr a trás de gabarolas com cara de santarrões.

Espero de todo o meu coração que o povo evangélico se levante para apoiar financeiramente instituições sérias que estão voltadas para o socorro dos necessitados. E também sugiro ao tal profeta que libera palavras proféticas (e a todos os seus “parceiros” que dividem o espaço na TV com ele) que adotem a mesma estratégia do bolo que a esposa dele adota. Que tal enquanto levarmos socorro para o Maranhão levarmos também o Evangelho? A estratégia é boa! Se muitas famílias lá do Maranhão recebessem esse montante de R$900.000,00 a cada mês para desenvolverem métodos para seu sustento, seria o cumprimento da palavra de outro profeta (de verdade), um tal de Miquéias: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e Andes humildemente com o teu Deus” (Mq.6.8).
Isso me faz lembrar um homem a quem esse tal profeta que “libera palavra profética” atacou chamando-o de “cão morto e falido”. Este a quem ele acusou de “falido espiritualmente”, recentemente liderou uma equipe de voluntários que com estes foi socorrer crianças na Nigéria, vítimas da cegueira espiritual daquelas pessoas que por considerarem bruxos aqueles pequeninos abandonavam-lhes à própria sorte nas florestas até morrerem.

Olivar Alves Pereira
Um profeta sem “palavra profética”, mas com a Palavra Eterna de Deus no coração e na prática.

dica do Ruben Mukama

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