Irmã Coragem (3)

O adeus de uma grande mulher

Em certos momentos fica difícil acreditar em Deus.

Como pode um Deus permitir tanta miséria?

Melhor ser ateu.

Um ateu destes que gostariam muito de acreditar em alguma coisa.

Um ateu rezando para estar errado.

Pois não é que hoje morreu um anjo!

Um anjo pediatra.

De sorriso lindo.

Um sorriso, me desculpem o trocadilho, angelical.

A primeira vez que vi tal sorriso.

Foi em 1973.

Na capa de uma revista esportiva.

A qual trazia estampada o novo Cardeal de São Paulo.

Eu estudava em colégio de padre.

Onde o diretor não sorria nem deixava sorrir.

Imaginem minha surpresa!

Um cardeal de riso aberto na revista.

Com uma bandeira do Corinthians.

Descobri com o tempo que o sorriso era do mais puro aço.

Inoxidável.

Imprescindível.

Inestimável.

Dom Paulo Evaristo Arns era feito de pedra e sentimento.

Um anjo na Sé.

Anos depois conheci a Zilda.

Crianças no colo.

Amor pra dar sem vender.

O mesmo sorriso do irmão.

Um sorriso de Forquilhinha.

Quis o destino.

Deus?

Levar desta terra a bela pastora.

Esse Deus que quer todos os sorrisos para si.

Pois, Deus!

Se é que você existe mesmo.

Guarda bem este anjo que hoje se foi.

Quando ajudava tantos anjos numa terra de miséria sem fim.

Guarda bem esse anjo, Deus!

Pois a Terra ficou mais vazia no dia de hoje.

E o céu.

Se é que o céu existe mesmo.

O céu ficou mais azul.

Roberto Vieira, no Blog do Paulinho.
dica do Rogério

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