Tudo conspira a favor da cura

A ESPERA

Julho, 2002

Recebi um grande milagre, se é que milagre tem tamanho. Há cerca de quinze anos, quando eu tinha 26, sofri um acidente, fiquei com pernas e braços paralisados e continuo achando que está tudo bem e que amanhã o quadro poderá ser revertido. Pode parecer que sou iludida… Mas, me conhecendo melhor, você perceberá que estou ligada.

Talvez você me ache evoluída por ter superado as fases posteriores a um acidente dessa magnitude. Mas, na verdade, aquela fase inicial, dolorida, eu passei batido, ou fiquei tão passada que o desespero não bateu nem de passagem!

Depois de escrever isso, descobri que não tem milagre ali não. Que esse deveria ser um sentimento natural à evolução humana, tipo quando quebra o pé, o braço, o dedo e, daqui a pouco, sara. Agora Deus está me devendo um milagre, pois ficou anos como autor responsável da minha certeza inexorável, irrevogável, indefectível quanto ao resgate dos movimentos. E me pergunto, apesar de me sentir mais conectada, por que ainda não aconteceu? Acredito que nas camadas mais profundas do meu organismo essa verdade ainda não se fez ouvir na terapia dos movimentos da alma… o movimento tem que ir se instalando em diferentes instâncias do pensamento, das células, da aura. Não se trata de misticismo nem de religião, mas se assim fosse teríamos ainda mais embasamento teórico para justificar a cura de paralisias.

Não temos na história aqueles tantos casos das pessoas levantando da cadeira de rodas para servir de referência aos próximos? Porque a hora é agora. Enquanto o Censo quantifica que o número de lesados medulares cresce, o Hospital das Clínicas protocola o atendimento ao trauma raquimedular, as drogas começam a combater as proteínas que impedem a regeneração da célula nervosa, o edema e a morte de novos neurônios, a Fórmula Academia abre as portas para os cadeirantes malharem, o Dr. Tarcísio de Barros inicia pesquisa de células-tronco em lesados medulares, eletrodos começam a ser implantados, o conceito de inclusão social cresce, os paraatletas dão um show nas Paraolimpíadas de Sidney, o terceiro setor brasileiro ganha força, os cientistas começam a “clonar” e os terapeutas a “olhar” além da lesão.

Tudo conspira a favor da cura… primeiro que Deus não faria uma obra vertebral tão sem solução. Outras obras pareciam não ter solução e hoje basta um comprimido. A cura pode ser operada por Deus, como creem católicos, judeus e outros. Ou em atenção à fé daquele crente que crê. Pode ser também que o ato mental de crer leve à cura, independentemente da vontade de Alá. Na visão espírita não existe o milagre, pois Deus não concebe a exceção. Mas existe a cura, que pode acontecer através de entidades ou por im¬postação de mãos.

E, se não tiver Deus, a física quântica reconhece a energia que se transforma em matéria. Tem um tempo e espaço no nosso corpo em que o pensamento se transforma em matéria. Por exemplo: se você fica com medo, sinais são enviados às glândulas supra-renais desencadeando a produção de adrenalina. Isso descreve um pensamento virando molécula, a não-matéria em matéria, a energia em massa. Leia +.

trecho de “Íntima Desordem”, livro da vereadora Mara Gabrilli que reúne 50 textos publicados originalmente na revista TPM. Ela é tetraplégica desde os 26 anos.

dica do Tom Fernandes

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