Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Empresa?

Se, como afirmam as Escrituras, é o conhecimento da verdade que liberta, a situação do leitor brasileiro é de escravidão. Viajando pelo interior de 25 unidades da nossa Federação, encontrei 90% de suas emissoras de rádio nas mãos dos chefes políticos locais, o que foi agravado com o festival de concessões para a extensão do mandato do Presidente Sarney.

O controle da informação é total, assim como a “não-notícia” dos excluídos e dos divergentes. Igrejas, associações de moradores e sindicatos têm tentado romper o bloqueio com rádios comunitárias, que se tornam “piratas” diante das pesadas exigências legais, e terminam fechadas acusadas de interferir com o tráfego aéreo, quando a única coisa que sobrevoa esses municípios são os urubus…

Ao nível da imprensa dos Estados, sejam rádios e jornais, sejam afiliadas das grandes redes, o monopólio está solido nas mãos das oligarquias regionais e das famílias do mandonismo desde as capitanias hereditárias. Muitos de nós conhecemos bem seus métodos sutis ou truculentos de vetos a quem ou a que não se quer tornar conhecido.

A chamada “grande imprensa” nacional (televisão, revistas e jornais) é dominada por meia dúzia de famílias, representando interesses nacionais e/ou internacionais. Os escritórios das agências de notícias aqui representadas, colhe as matérias, envia para as matrizes no estrangeiro, que as editam e reenviam para aqui serem publicadas. A seleção do(a)s comentaristas políticos e econômicos implica em sua apologia das maravilhas do capitalismo e do império.

Em seu conjunto, a “grande imprensa” coloniza, distorce e manipula. Vivemos sob uma forma sofisticada de férrea censura, de anestesia intelectual e de perda de massa crítica, em uma uniformização do pensamento único.

Como concessionárias de um serviço público, com que critérios se dão e renovam essas concessões? Quais as normas? Quais os organismos reguladores? Como a sociedade pode se expressar nesse processo?

Somos contrários ao controle da mídia via partidos nos governos (que terminam por compartilhar das mesmas ideias e interesses), mas – e a Europa tem inúmeros exemplos – empresas públicas não-estatais podem ser controladas pelo conjunto diverso da Sociedade Civil, mais cidadãos e menos meros contribuintes, quando se quer construir uma nação e não um mercado.

Como patriotas temos um dever de resistência. Como cristãos temos um dever de denúncia profética. Pobre Brasil, onde a verdade é apenas a mentira travestida! Definitivamente, não temos liberdade de imprensa, mas liberdade de empresa.

Abre os olhos meu povo, mesmo que isso doa!

Robinson Cavalcanti, bispo anglicano.

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