A desconfortável zona de conforto

É direito inalienável do ser humano que ele possa pedir ajuda quando acha que precisa de ajuda e resolver seus problemas sozinho quando assim desejar.

Que ele possa chorar no ombro amigo sem que isso o mantenha obrigado a dar satisfações de todas as lágrimas futuras.

Que possa enxugar suas próprias lágrimas e apreciar seu próprio silêncio.

Que ele possa sorrir na hora de sorrir e andar ensimesmado enquanto houver razões para ensimesmar-se.

Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.

Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

(Fernando Pessoa)

Juliana Dacoregio, no Heresia Loira.

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