Nota triste (9)

Lá se foi o Glauco! Triste país onde a vida vale muito pouco.

Estou muito triste nessa manhã.

Já não bastasse nessa semana, perdemos duas pessoas amigas para a violência que já está se tornando a marca desse triste país onde a vida vale muito pouco e a justiça, idem.

Não adianta aqui tecer mais comentários sobre o que já está batido, como quem bate no ceguinho. Não adianta mais falar sobre a ineficiência das nossas leis – inadequadas – e da sua aplicação e cumprimento, nem sobre o poder judiciário, tão podre quanto o poder legislativo e o executivo.

Perdemos nesses poucos dias aqui em Uberlândia, uma irmã de uma das nossas comunidades, nova, com uma filha de 3 anos, assassinada friamente diante de um bandido frio e sem noção de absolutamente coisa alguma. Sem resistência, sem lutas mas que mereceu um tiro no rosto. Depois de preso o assassino que pretendia assaltá-la, mostrou nenhum remorso ou arrependimento, só o sarcasmo de quem não crê em castigos, penas ou nada que o venha a atrapalhar a não ser por pouco tempo. Esse homem e os seus comparsas, segundo se apurou depois oficialmente, estavam sendo “monitorados”pela polícia que, segundo declarações dessa, os seguiam há vários assaltos e nada fizeram esperando pela autorização do poder público para os prender.

Hoje pela manhã, a notícia dos assassinatos do Glauco e do seu filho, ocorrido em São Paulo. Colega de cartoon, conhecido no país todo e não só, a quem conheci anos atrás em Uberlândia quando o convidei para dar uma palestra na universidade onde lecionava.

Apesar das suas lutas e experiências com drogas, em poucos 3 dias de convivência, onde desde cedo, almoçamos, jantamos… trocamos experiências e idéias, vi um homem sensível, um pouco tímido e amigo.

Me lembro de quando nos despedimos, depois de nos termos aberto a vida um ao outro, compartilhando sobre a nossa fé, sobre a minha casa – mulher e filhas, ele nos abraçou emocionado com os olhos a mostrar isso, por ter, com toda a minha certeza, conhecido gente “normal”, mas com experiências inusitadas, pouco normais naquela época, compartilhadas sobre Deus, o Seu amor e a Sua graça. Creio que fomos os primeiros cristãos com quem ele conversou sobre a fé e sobre a nossa fome pelos céus.

Nos abraçamos, trocamos um beijo de amigos e, tirando um ou outro telefonema, nunca mais nos vimos. Hoje, a notícia. Triste. Muito triste.

Gente, quando é que esse país vai parar de vez e discutir com seriedade a questão das leis, da sua aplicação e do respeito a elas – a começar dos de cima? Quando vamos discutir sobre o desdém às regras básicas de convivência social, da ética, da moral, do decente, do justo, incluindo-se ai o exemplo que não dão os bandidos de terno-e-gravata do poder público (de onde não estão de fora nem os da religião?).

Que Deus tenha misericórdia desse país. Triste país.

“Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro perene” (Amós 5:24).

Rubinho Pirola

um dos caras que curto desde a adolescência. puta sexta-feira triste…

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