Quem não é "de esquerda", é o quê?

Essa é uma análise do texto da doutora Norma Braga publicado na revista Ultimato intitulado: Por que não sou de esquerda.

Tratei no post de ontem de meus questionamentos e conclusões sobre a Ultimato publicar aquele texto; e queria parar por aí, não fosse um amigo catalisar aquilo que eu vinha evitando e praticamente me empurrar para esse respeitoso pseudo debate de idéias (debate sempre serão de pessoas, de egos e nunca de idéias, idéias são neutras e não se debatem).

Há várias maneiras de entrar em um assunto, entro nesse pelas portas que nosso leitor* desavisada e despretensiosamente abriu:

Taí, abaixo, meu comentário sobre o texto da Norma:
Quem não é “de esquerda”, é o quê? […]
Estas são apenas algumas das dúvidas que o texto me provocou.

A sabedoria popular responderia sua questão, amigo, de forma simples e no atacado: quem não é de esquerda é maior de trinta anos, ou não tem cabeça. Afinal ele, o ditado diz:

Quem não é de esquerda antes dos trinta não tem coração, quem é de esquerda depois dos trinta não tem cérebro.

Assim todas essas linhas vermelhas poderiam ter sido poupadas, se a autora se limitasse a responder que tem mais de trinta anos e logo tudo estaria entendido. Mas as mulheres e suas vaidades…

Diante do problema do mal, experimentamos a urgência de uma solução. Para quem crê, Jesus satisfez essa urgência: inocente, sacrificou-se por nós. Assim, o cristão fiel declara com tranquilidade que o mal está em si, confiando em Cristo para a redenção. Porém, para quem não crê, o problema do mal resta irresolvido e a solução será sempre externa. Este é o “mecanismo do bode expiatório”, segundo René Girard: fazer com que alguém encarne o mal e eliminá-lo, gerando sacrifícios sem fim (enquanto a Bíblia enfatiza: o sacrifício de Jesus é eterno).

Parece que Norma não entendeu tão bem Girard como Brabo queria crer. O “mecanismo de bode expiatório” tem sua explanação não em Girard mas na própria Bíblia, tanto no seu aspecto literal como em casos como o de Acã e tantos outros.

O problema não é localizar o mal ou a solução fora ou dentro de si, ambos estão tanto dentro como fora! (Puro sofisma para tentar opor “esquerda” contra Jesus na solução de problemas ou males sociais).

Isso se verifica facilmente entre nós, ocidentais, quando lembramos os assassinatos em massa do século 20. Judeus, ciganos, cristãos dissidentes e povos não-alemães foram os bodes expiatórios da Alemanha hitlerista: quarenta milhões de mortos. Da mesma forma, nos países comunistas o vago conceito de “classe dominante” tem justificado a condenação à morte de mais de cem milhões. Trata-se um ciclo diabólico, pois não há sacrifícios que cheguem para a sanha dos que pensam combater o mal dessa maneira. Assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo.

Como alguém já notou sobre esses falso diálogos da net: Não basta opinar, é preciso comparar a Hitler. Essa tática é simples e eficaz, mas estúpida. E infelizmente cansa e ofende nós alemães. Por que não tomar como exemplo o extermínio da candelária? Leia +.

Roger, no Teologia Livre.

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