Amor em 18 de janeiro de 2010

– Aceita o meu pedido?

– É claro, meu amor. Era tudo que eu mais queria.

– Até que a morte nos separe?

– Até que a morte nos separe. E nem a morte vai separar a gente.

– Nada, nunca, somos almas gêmeas.

– Se bem que o Marcelo e a Letícia também eram e…

– Isso nunca vai acontecer com a gente.

– É claro que não.

– Então a gente nem precisa falar de…

– De jeito nenhum.

– É comunhão total e não se fala mais nisso.

– Mas e se…

– Pode ser parcial, para mim não faz diferença.

– Para mim também não.

– Então…

– Parcial.

– Melhor para mim, sempre trabalhei mais do que você.

– Eu não preciso trabalhar. Sou herdeira, querido, esqueceu?

– É claro que eu não esqueci.

– Quer dizer que você fica pensando nisso?

– Eu não disse que eu penso, eu lembro.

– Pior ainda.

– Para de bobagem. Eu não estou nem aí para a fábrica da sua família.

– Nem eu para a sua loja.

– Pois deveria estar. O que é meu, é seu.

– Com todas aquelas dívidas?

– Não são dívidas, são investimentos.

– Se tivesse apostado numa roleta o retorno era mais garantido.

– Se você acha isso, separação total.

– Tudo bem.

– Eu vou ficar milionário e você não vai ver a cor do meu dinheiro.

– Nem você do meu.

– E o apartamento que a gente comprou?

– Esse é nosso.

– Não senhora. Eu paguei mais. Tenho direito a 70%.

– Mas quem pagou a reforma fui eu.

– Trocar privada não é reforma.

– Ah, é? Então você fica com 70% do apartamento e eu com 30% mais as privadas, e na hora de fazer cocô, você aguenta.

– E você não puxa a descarga, porque 70% da parte hidráulica é minha.

– Isso não vai dar certo. Melhor a gente fazer um contrato.

– Esta semana, cada um com seu advogado?

– Confirmo o horário com a sua secretária.

– Combinado. Agora me dá um beijo.

– Claro, amor da minha vida.

– Juntos até que a morte nos separe?

– Até que a morte nos separe. E nem a morte vai separar a gente.

Giovana Madalosso, no Blônicas.

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